Assim é a Vida | Crítica

Filme estreia em 14 de dezembro

20

Assim é a Vida, um filme de Eric Toledano e Olivier Nakache, parceiros na criação do roteiro e direção de filmes como Intocáveis, Samba e agora chegam as telas com essa comédia, que através do humor, oferece um reflexo bem humorado e inteligente das vicissitudes humanas, em mais uma parceria competente e de sucesso.

O filme é como uma boa partida, com um time afinado, onde cada jogador arma, rola a bola e realiza sua jogada para em seguida passa-la, porque ela não pode parar e o movimento depende de todos para ganhar o jogo.

O tempo da piada está lá e ele só funciona com atores bons. No elenco, Gilles Lellouch o cantor brega animador de festas, Heye Aydara como a sub gerente esquentada do buffet, Vicente Macaigne o professor desempregado que vive de freelas como garçom que o cunhado (Max) lhe arruma, Jean-Paul Rouve o egóico fotógrafo profissional no tempo dos celulares, Alban Yvanov como o sem noção…enfim a lista é longa, de um elenco onde todos jogam um bolão.

Jean-Pierre Bacri está excelente como o dono do buffet, Max Angéli, que vive seu momento “Breaking Bad”, num casamento falido, uma amante insatisfeita, cansaço da idade, dos problemas e todas questões burocráticas que permeiam ser dono de uma empresa de pequeno porte no mundo contemporâneo. Em conflito com o seu  tempo, ele não se acerta com o uso do próprio celular que vive metendo-o em confusões. Max é uma grande personagem com sua paciência zero para “invencionices” modernas e na contrapartida senhor de uma ternura e tolerância, que guia sua conduta e transparece em suas relações, ou seja, ele é humano.  A única ressalva está na química que deveria validar o casal apaixonado   Josiane (Suzanne Clément) e Max  (Jean-Pierre) que inexiste.

A fotografia de David Chizallet possui  a “verdade” e velocidade do cinema direto de Robert Drew – documentário  – através dos planos, sequência, das objetivas e subjetivas que nos insere no frenesi do bakstage desta festa que nos convidaram para participar de modo íntimo, observando como uma mosca os encontros, conflitos nas relações pessoais e profissionais,  como se fossemos uma  mosca que tudo vê.

A montagem de Dorian Rigal-Ansous, é invisível e responsável pelo ritmo que neste filme é essencial para manter sua graça.

Numa França globalizada, a equipe do buffet é um pequeno retrato da pluralidade cultural e ética de um mundo com uma população cada vez mais mestiça –  e felizmente mais rica culturalmente. Os roteiros franceses sempre abordam questões sociais,  neste filme não é diferente, quando a chegada de um suposto fiscal, vem à tona questões trabalhistas acerca dos direitos e legalização destes empregados emigrantes, sem perder a graça mas, com seriedade.

Assim é a vida é um filme de roteiro, elenco, direção, fotografia sem efeitos grandiosos, um filme inteligente  que envolve e diverti o público sem subestima-lo.

Para fechar, uma curiosidade, diferente de muitos lugares do mundo – inclusive no Brasil – no setor do audiovisual francês, os realizadores dos filmes mais bem sucedidos são os que menos arrecadam subsídios para o próximo projeto. Questões de uma política que pensa o desenvolvimento e crescimento do setor. Pois é a França tem dessas coisas em vários seguimentos de sua sociedade e administração pública.  Como diria a canção do Chico “mirem-se no exemplo…”

Resumo
Assim é a Vida
Jacqueline Durans

Roteirista, Diretora e Produtora. Graduação em Cinema pela Universidade Estácio de Sá, formada pelo Teatro Escola Macunaíma, SP; Coprodutora, Roteirista e diretora dos curtas: 2017 – Curta documentário “Achei o meu nariz”
2016 – Cidade em Transe; 2016 – Insônia – Inspirado na obra de Edward Hopper. 2016 – Coordenou o NucineClube da Universidade Estácio de Sá – Campus João Uchõa. Master classes de roteiro e direção com Sir Richard Eyre, Carlos Reichnbach e outros.