Duas coxinhas e um pastel…ou melhor dois “cabaços” e um pastel. Pedido de feira? Não, mas, poderia muito bem ser a story line do filme “Como se tornar o pior aluno da escola”.

Oriundo da televisão o estreante, Fabricio Bittar, revela talento para a linguagem, apresentando um filme com ritmo e cenas trabalhadas.

O roteiro um mix de filmes americanos como, Porky’s, Curtindo a vida adoidado e uma pitada de Harry Potter – o diário encontrado no banheiro, igual ao do Tom Riddle (Voldemort)- o filme trata-se de uma comédia nonsense, baseada no livro de Danilo Gentili, que também assina o roteiro.

Como se Tornar o Pior Aluno da Escola

Apesar de olhar com desconfiança tudo que é “politicamente correto”, porque os limites estão na diversidade, no olhar e vivência de cada um de nós mas, agora a comédia de Bittar e Gentili, testa todos os limites, é forçada e de mal gosto em vários momentos. Principalmente porque valida o aproveitador, o escroque, aquele que segue sem sofrer consequências pelas suas transgressões, enaltecendo o engano, o roubo… crimes que estão em nosso cotidiano via noticiários jornalísticos.

No elenco Daniel Pimentel como Pedro, o aluno exemplar que em plena puberdade tem toda a atenção voltada para as garotas e Bruno Munhoz como Bernardo o amigo fiel, que apesar de discordar das ideias do amigo, aceita segui-lo na aventura, juntos formam uma dupla convincente e os dois jovens atores estão bem em seus papéis. Danilo Gentili sinaliza um ator com potenciais, mas seu alter ego o impede, mantendo-o na superfície, preso em sua persona publica desagradável. Quase dá para escutar aquela velha canção do Erasmo Carlos “é que eu tenho que manter a minha fama de mal…”.

Como se Tornar o Pior Aluno da Escola

No elenco estão ainda, Fabio Porchat, Joana Fomm, Carlos Villagrán (o Quico do seriado Chaves) que está ótimo como o diretor da escola com um discurso pronto e ortodoxo sobre educação e Moacyr Franco, impagável como o faxineiro niilista.

Como ser o pior aluno da escola de Fabricio Bittar, é sobre visibilidade, felicidade e as memórias que construímos. A pergunta que fica é: É isso mesmo? Explodir uns canos na escola, colar nas provas, fazer uso do tal “jeitinho brasileiro”, traz a tal felicidade? Ser um sacana é o caminho?

E o cinema, todo esforço que envolve uma produção para contar este tipo história? Como dizem por ai, cada um com seu cada um… seguindo.

Resumo
Como se Tornar o Pior Aluno da Escola
Jacqueline Durans

Roteirista, Diretora e Produtora. Graduação em Cinema pela Universidade Estácio de Sá, formada pelo Teatro Escola Macunaíma, SP; Coprodutora, Roteirista e diretora dos curtas: 2017 – Curta documentário “Achei o meu nariz”
2016 – Cidade em Transe; 2016 – Insônia – Inspirado na obra de Edward Hopper. 2016 – Coordenou o NucineClube da Universidade Estácio de Sá – Campus João Uchõa. Master classes de roteiro e direção com Sir Richard Eyre, Carlos Reichnbach e outros.