Há uma novidade no front, e vem da mente e mãos do cineasta britânico Christopher Nolan. Pertencente a um seleto grupo de diretores que ainda consegue produzir conteúdo cinematográfico realmente bom em Hollywood, Nolan nos traz um grande e redentor filme em sua carreira, em pequeno ocaso após o apenas bom “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012) e o xarope “Interestelar” (2014). Em “Dunkirk” Nolan nos leva ao épico combate no norte da França, onde durante a Segunda Guerra Mundial centenas de milhares de soldados ingleses e franceses ficaram encurralados no litoral pelas ferozes tropas nazistas, e tiveram de ser evacuados para a cidade de Dover na Inglaterra, passando pelo Canal da Mancha. A manobra militar se eternizaria pelo nome de “Operação Dínamo”.

Dunkirk

O primeiro grande acerto do filme é alternar três linhas narrativas e ponto de vistas na montagem – por terra, céu e aguas. Em terra firme o arco dramático dividir-se-á entre as artimanhas nem sempre éticas dos militares de alto escalão para salvar os soldados, e o drama pessoal do relacionamento deles na tentativa de sobreviver – os personagens principais são os soldados Tommy (Fionn Whitehead) Gibson (Aneurin Barnard) e Alex (Harry “One Direction” Styles) todos muito esforçados e dignamente interpretados. Sim! O guri do “One Direction” sabe interpretar. No céu acompanhamos os pilotos Farrier (Tom Hardy) e Colllins (Jack Lowden) evitando as investidas aéreas nazistas e o tenso processo de controlar o combustível de suas próprias aeronaves. É impressionante como Tom Hardy consegue, mesmo passando quase toda a duração do filme dentro do cockpit do avião, muitas vezes cobrindo os lábios com a máscara de aviador, obter um trabalho de interpretação tocante e magnetizante. O arco dramático marítimo se desenrola a partir do convite feito pela Inglaterra à civis para que rumassem a região litorânea de Dunkirk para auxiliar no resgate dos combatentes, envolve Mr. Dawson (Mark Rylance) e seu filho Peter (Tonn Glynn-Carney).

Dunkirk

É bem interessante a forma como Nolan retrata a guerra em Dunkik, o que torna o filme bem peculiar e interessante. De olho nos 20% do bruto da bilheteria do filme, parte do contrato assinado para a realização de Dunkirk, O diretor adequou o longa a censura 13 anos o que torna mesmo as cenas de explosões e bombardeios realizadas com quantidades mínimas de sangue exibidas, nada de troncos e membros explodindo e nenhum tipo de ultra violência, bem comum em filmes de guerra. As cenas de combate são captadas com maestria tanto nos arcos terrestres quanto nos aéreos. O diretor utiliza-se de planos abertos usando as câmeras IMAX revezando com planos médios e planos detalhe para captar os dramas humanos. A trilha sonora de Hans Zimmer é genial, um dos pontos altos do filme. O inimigo nunca é mostrado na forma de soldados nazistas, mas sempre macro-representados como grandes aviões, explosões os rajadas de tiros assustadoras , parte do excelente trabalho de edição e mixagem de som.

Dunkirk

Mas talvez a importância maior deste novo filme de Nolan, perdoando todas as (muitas) incorreções históricas da película, um segundo ato ligeiramente tedioso e um final que por pouco não flerta com o patriotismo exagerado e piegas e a manipulação emocional do espectador – onde até mesmo Hans Zimmer desanda para uma trilha excessivamente lacrimosa – seja não só reafirmar o diretor como um dos grandes nomes de Hollywood atualmente, mas reafirma o poder do cinema como forma de entretenimento de massa de alta qualidade artística. É um filme para ser visto na telona, preferencialmente nas salas IMAX para permitir total imersão no universo. Certamente não tem o mesmo peso e a mesma potência se visto em home-cinema. Mostra que o diretor ainda tem fôlego e inspiração para trazer muita coisa boa para seus fãs. É envolvente e extremamente emocionante.

Resumo
Dunkirk
Wilson Antônio

Estudante de “Cinema e Audiovisual” na Universidade Federal Fluminense, Cirugião-dentista e DJ de música eletrônica, carioca da gema (mas torço pelo São Paulo Futebol Clube) e acredito que a felicidade se compra sim, nas bilheterias das salas de cinema! Entusiasta da historia do cinema mundial e da cinematografia européia. Agradeço ao cinema quem eu sou, como acordo, como como, como ando, como penso, como sinto e principalmente como amo!