Extraordinário | Crítica

Filme estreia no dia 07 de dezembro no Brasil

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Em seu primeiro dia de aula Auggie Pullman (Jacob Tremblay), é iniciado de forma agressiva como vitima de bullyng, ao ser comparado com o Darth Sidious de Star Wars, por um valentão da classe. Auggie possui  uma deformidade facial derivada de uma doença congênita que ao longo do tempo o expôs a várias cirurgias plásticas corretivas que, não dão conta de seu problema.

Em sonho Auggie caminha protegido com seu capacete de astronauta e é querido e ovacionado por seus feitos, para além de sua aparência.

Muitos cineastas já realizaram filmes com este tema, um belo exemplo é o filme “O Homem Elefante” de David Linch, onde o grotesco do aparente era a mascara que escondia dos cegos pelo preconceito, o brilho de uma alma delicada e grandiosa.

Extraordinário estréia dia 7/12 no Brasil, o filme do excelente diretor Stephen Chbosky – que também assina o roteiro –  é um filme que  desarma e emociona, com bom gosto e bom humor.

O roteiro adaptado da obra “Wonder” de R.J. Palacio, por Chbosky, Steve Conrad, Jack Thorne, ao realizarem suas escolhas de como contar esta história, conseguem emocionar sem ser piegas e manipuladores. Em um cenário expandido para alem do protagonista, o filme respira e outras histórias são contadas, vemos o quanto a escola secundária pode ser violenta e crescer pode ser assustador.

Uma das gratas surpresas do filme é a participação da brasileirissima Sônia Braga – deixou um gosto de quero mais – como a mãe da Isabel (Julia Roberts)  e a avó protetora da Via (Izabela Vidovic), talvez a personagem mais complexa do filme.

Julia Roberts, continua encantando com seu talento e junto com Owen Wilson (que só tem melhorado com o  tempo), formam um casal verossimil que conseguem dar vida a estes pais dedicados, apaixonados mas, também conscientes da necessidade do filho ter uma vida social e crescer.

Extraordinário é um filme inteligente e possui um “coração”, suas personagens são humanas e integras com todos os seus paradoxos, experimentando a vida e apreendendo a força da resiliência, propriedade oriunda da física que alguns corpos possuem de acumular energia e retornarem a forma original, sem se romper, apesar de submetidos a mudanças  e stress.

Resumo
Extraordinário
Jacqueline Durans

Roteirista, Diretora e Produtora. Graduação em Cinema pela Universidade Estácio de Sá, formada pelo Teatro Escola Macunaíma, SP; Coprodutora, Roteirista e diretora dos curtas: 2017 – Curta documentário “Achei o meu nariz”
2016 – Cidade em Transe; 2016 – Insônia – Inspirado na obra de Edward Hopper. 2016 – Coordenou o NucineClube da Universidade Estácio de Sá – Campus João Uchõa. Master classes de roteiro e direção com Sir Richard Eyre, Carlos Reichnbach e outros.