Inseparáveis (2016), dirigido por Marcos Carnevale chega às salas de cinema no início de junho deste ano, com a proposta de abordar temas como diferenças, desigualdades sociais, saúde, famílias, amores e, principalmente, a amizade. Inspirado em uma estória real e na produção francesa Intocáveis (2011), dirigida por Olivier Nakache e Eric Toledano, o filme tematiza a vida de Felipe, um milionário que fica tetraplégico que, ao buscar um acompanhante, contrata seu jardineiro Tito, que já estava saindo do emprego, que porém passa a viver na casa, trabalhando para Felipe. Como isto veio em um momento em que Tito também estava necessitado, então, o encontro de ambos representa uma supressão de carências, que vai, aos poucos se transformando em uma amizade. A sinceridade de Tito com Felipe, que lhe fala sem pena ou interesses materiais e a credibilidade que Felipe dera a Tito, para trabalhar tão próximo a ele, ignorando os erros que ele cometera no passado fazem com que se aproximem e venham trocando opiniões pessoais, estórias de vida e hábitos próprios, que levam ambos a rever conceitos anteriores.

Com o roteiro de Marcos Carnevale, adaptado dos diretores e roteiristas da produção francesa Olivier Nakache e Eric Toledano, Inseparáveis é um filme sobre as trocas e as oportunidades na vida, narradas com humor. Enquanto o filme francês prioriza as atuações da dupla, interpretada por Omar Sy e François Cluzet, o argentino traz maiores construções da individualidade de cada personagem e também, revela que a dupla de roteiristas se baseara em fatos reais para desenvolver a linha narrativa. Além disto, a atuação de Oscar Martínez, que interpreta Felipe, é incrível, posto que ele compõe a personagem, tanto transmitindo suas limitações físicas quanto dando a intensidade dramática de cada momento sem faltas ou exageros. Rodrigo de la Serna encarna um jovem comunicativo e irreverente, o que vai conquistando as demais personagens com o tempo; o ator dá a Tito um tom de humor avacalhado, que diverte os espectadores, com suas considerações e opiniões.

Acompanhando o estilo do filme, é um clássico-narrativo, que se enquadra em determinados gêneros, comédia e drama, no caso, o roteiro é bem desenvolvido ao longo da narrativa, com porém, carências de maiores explicações sobre as famílias e as origens de cada uma das personagens. Tanto Felipe quanto Tito têm passados e estórias de vida interessantes, que poderiam ser mais tematizados ao longo da obra.

Com a fotografia de Horacio Maira, o filme conta com uma grande quantidade de planos médios e fechados, principalmente close-ups nas personagens ao decorrer do filme, o que traz uma maior dramaticidade para a construção de cada identidade. Este recurso individualiza e permite maiores detalhes sobre emoções, olhares e construções de personalidades, conferindo mais um elemento para o recurso dramático. A montagem de Luis Barros apresenta logo a princípio um flashforward, o que traz para o espectador algo que vai acontecer no futuro daquela narrativa, para posteriormente desenvolvê-lo. Isto tem como objetivo prender quem assiste o filme, explicando aos poucos como se chegou até aquela situação.

Pode-se dizer que a versão argentina trouxe suas contribuições para a célebre estória ao trazer questões da própria cultura e atores e uma equipe diferenciados. É possível reafirmar as questões levantadas sobre parceria e amizade, e também acrescentar as visões de cada personagem transmitidas pelos atores argentinos, que trazem outras condições. Marcos Carnevale trouxe, com sua visão, um filme que emociona, por abordar de uma forma sensível as relações humanas.