O filme Kingsman: O Círculo Dourado (2017) é uma produção recente, que dá continuidade a Kingsman: Serviço Secreto (2015), também dirigida por Matthew Vaughn, que carregava consigo a expectativa de ser um dos filmes com maior audiência da segunda metade deste ano. A obra mantém a opção estética de ser uma sátira dos filmes de espionagem americanos, com resoluções exageradas e absurdas em sequências de perseguição, sempre com bastante humor, aparatos de última tecnologia, que são capazes de realizar diversas funções e agentes que salvam o mundo com guarda-chuvas, laços e maletas. O filme narra a trajetória de Eggsy (Taron Egerton), que, após um ataque ao quartel general da Kingsman, vai para os Estados Unidos, acompanhado por Merlin (Mark Strong). A dupla remanescente se filia à Statesman, uma organização americana de espionagem, onde conhecem os agentes Tequila (Channing Tatum), Whiskey (Pedro Pascal), Champ (Champagne) (Jeff Bridges) e Ginger (Halle Berry), que os ajudam na busca de uma organização misteriosa, chefiada por Poppy (Julianne Moore) responsável pela difusão de um vírus através de drogas.

Kingsman O Círculo Dourado

Uma das questões mais interessantes é o ambiente irreal, que permeia o filme, a construção dos cenários, bem destoantes do contexto cotidiano, utilizando ambientações como palácios, adegas e esconderijos e cujo acesso é por um lago. Também, muito da realização do filme é possibilitado, em grande parte pelo sistema CGI (Computer-Generated Imagery), que trabalha imagens no computador, inserindo-as no filme na pós-produção. Desta forma, Kingsman tem uma estética virtual, no que se refere à aparência de personagens, soluções narrativas e até à construção de seres, como os cães de guarda de Poppy. Esta construção e o ritmo acelerado de montagem, conferido pelo montador Eddie Hammilton dão ao filme um ritmo frenético e, por vezes forjado, que comprometem, em parte a fluência da narrativa que a obra objetiva transmitir.

Uma questão que se torna pertinente ao se assistir ao filme é o imenso investimento em recursos e excelência estética de uma produção bastante cara, estimada em US$ 104.000.000,00, com um elenco bastante reconhecido, incluindo o cantor Elton John e, em contrapartida, a percepção de que é uma proposta bastante vaga, que não se torna intensa o suficiente para que o filme vá além de uma profusão de efeitos e cenários capazes de impressionar o público. Todos transmitidos em uma decupagem com uma quantidade bem grande de planos detalhes, que possibilitam um olhar mais atento para a capacidade da pós-produção em criar realidades. A única questão que destoa um pouco é a leveza como é retratado o humor ao longo da obra, também nas sequências de conflito. É uma produção de efeitos, construído de uma forma em que a proposta se perde na estética e na metalinguística do filme que vem para mostrar o que pode enquanto filme.

Kingsman O Círculo Dourado

O diretor, que dirigira outras produções de blockbusters anteriormente, como X-Men: Primeira Classe e Kick-Ass: Quebrando Tudo representa este novo momento em que a Linguagem Cinematográfica se altera de modo encontrar meios de levar espectadores às salas de cinema. As tecnologias 3D, IMax e 4D são tentativas de deixar a experiência cinematográfica única e restrita às salas e a possibilidade de apresentar um mundo completamente construído e acessível para o público é tentadora. Porém, é um erro comum que o filme caia no erro descrito anteriormente de se tornar apenas isto e ter pouco trabalho na proposta, a narrativa, o trabalho das personagens e atores. Apesar disto, é uma sátira divertida, que confere bons instantes de humor a quem o assiste.