Deus está morto, disse Friedrich Nietzsche e este é o clima do início do filme, Liga da Justiça, com uma Metrópoles solar mas, de luto pela morte do Superman (que para todos era uma inspiração, um Deus), sentindo-se desamparados, o cheiro de medo tomou conta da cidade e este odor atrai o pior, que já está entre “nós”.

Liga da Justiça-critica

Segundo a Mulher Maravilha, “em tempos sombrios a luz sempre retorna”, pode até ser, mais a escuridão é rápida, eficiente e voraz em provocar estragos.

A Liga é um épico clássico e nasce para as telas como um filme pop com seus heróis bem construídos, que apesar de supers, enfrentam questões pessoais que os individualizam e limitam seus poderes na realização de suas jornadas.

Enquanto isso, Darkiseid a personificação do mal, e seus demônios com fome de medo, busca a unidade, e em tempo de polaridades, retrocessos, ele enxerga sua chance de retomar seu posto como grande conquistador e restaurar a velha “segurança do medo divino”. Um poder que é Yin e Yang com potência para a destruição como para a criação.

Aquaman, Ciborgue e Flash são convocados por Batman e Mulher Maravilha a tomarem suas posições na Liga e juntos terão que se expor, assumir seus papéis, suas missões.

O frescor do filme está também no roteiro de Chris Terrio e Joss Whedon, que conseguem manter a essência da obra e reinventa-la sem perder o ritmo da aventura. A Liga da Justiça é um filme de ação, ou seja entretenimento, mesmo assim, o roteiristas conseguem colocar neste caldeirão, ícones e provocações sobre nosso tempo tão controverso.

A direção de A liga da Justiça é de Zack Snyder, que se afastou do projeto em março, na fase da pós produção – junto com sua esposa Deborah Snyder, produtora do filme – por causa do suicídio de sua filha, Autumn de 20 anos, deixando a finalização do filme a cargo de Joss Whedon (Os Vingadores).

No elenco Ben Affleck (Batman), Gal Gadot (Mulher Maravilha), Henry Cavill (Superman), Ezra Miller (Flash), Jason Momoa (Aquaman), Ray Fischer (Ciborgue) Ciarán Hinds (Lobo das Estepes) e no apoio os excelentes Amy Adams (Lois Lane), Diane Lane (Martha Kent), Jeremy Irons (Alfred), J.K. Simmons (Comissário Gordon) e Joe Morton (Silas Stone), entre outros.

Destaques para os trabalhos do Jason Momoa em sua construção de Aquaman Rock in Roll e bem diferente daquele das sessões da manhã na TV, Erza Miller um Flash adolescente, curioso, inquieto e faminto, Jeremy Irons que vive um Alfred mais presente, irônico e atuante em sua parceria com Batman e interação com os outros integrantes. Gal Gadot, sem palavras para a sua Mulher Maravilha, que neste projeto está mais segura, amadurecida e confortável com seus poderes.

Ben Affleck surpreende com um Batman humanizado em seus sentimentos e ciente de que sangra. Ray Fischer como o Ciborgue, talvez ainda necessitasse mais tempo para consolidar seu trabalho, um homem/arma cibernética, assombrado pela perda de sua humanidade.

Liga da Justiça é um filme divertido e leve que funciona, oferecendo ao público e principalmente aos fãs do universo da DC Comics momentos especiais, como a aparição de outros heróis e mais.

Especial também é a homenagem aos criadores com destaque nos créditos finais – Marv Wolfman e George Pérez (Ciborgue), William Moulton Marston e H. G. Peter (Mulher Maravilha), Paul NorrisKurt BusiekJackson GuiceMort Weisinger (Aquaman), Bob Kane e Bill Finger (Batman)  Jerry SiegelJoe Shuster (Supermam),  Gardner FoxHarry Lampert (Flash) e Jack Kirby (Lobo das Estepes).

Liga da Justiça é um filme de heróis com personalidades diferentes, trabalhando juntos, assumindo suas posições. É sobre ter esperanças, que está sempre por perto, basta acreditar.

Ah…só saia da sala de cinema depois que todos os créditos subirem, vale a pena!