Estréia esta semana, o possível indicado para o Oscar O Castelo de Vidro, segundo longa metragem do diretor havaiano, Destin Cretton, inspirado no livro de memórias homônimo de Jeannette Walls – que também assina o roteiro do filme junto com Destin e Marti Noxon – sobre o modo de vida de sua peculiar família.

Woody Harrelson (Rex) e Naomi Watts (Mary Rose), vivem as personagens dos pais de Jeannette, herdeiros da geração beatnik, se recusam a viver dentro do sistema, optando por uma vida outsider, negando o consumo, o patrimônio, criando os filhos de modo livre, com literatura e através da “poética” da vida. Mas, o espirito do “Carpe diem, quam minimum credula póstero” (aproveite o dia de hoje e confie o mínimo possível no amanhã) acaba sacrificando os filhos, as vias de passarem fome e correrem risco de vida.

Rex o pai, um sonhador atormentado, vive em função do projeto do seu “castelo de vidro”, enquanto realiza trabalhos temporários – isso quando não está alcoolizado tendo arroubos de raiva. A mãe uma pintora expressionista amadora, passa o tempo entre telas e tintas, alheia a “realidade”. Jeannete e os irmãos, ao entenderem a dinâmica e o modo de vida dos pais, se unem e sonham um dia partir e conquistarem uma vida “segura”.

As interpretações de Naomi Watts e Woody Harrelson são de uma entrega em seu trabalho, que faria Stanislavski “sorrir”. Brie Larson como a jovem Jeannete possui um misto de beleza e tristeza emocionantes, já como a Jeannette adulta, se ela interpretasse com um tom a menos, teria conseguido um retrato mais humanizado da personagem. O elenco infantil é impressionante, principalmente as jovens atrizes Chandler Head e Ella Anderson que vivem Jeannette na infância nos oferecem um show de interpretação.

“O Castelo de Vidro” é um filme sobre o caminho, projetos e sonhos que vivenciamos durante a jornada. A grande questão é o como você está realizando a caminhada. Sem soluções ou formulas prontas, a pergunta que fica – para todos – é, você está feliz com as suas decisões?

Resumo
O Castelo de Vidro
Jacqueline Durans
Roteirista, Diretora e Produtora. Graduação em Cinema pela Universidade Estácio de Sá, formada pelo Teatro Escola Macunaíma, SP; Coprodutora, Roteirista e diretora dos curtas: 2017 - Curta documentário "Achei o meu nariz" 2016 - Cidade em Transe; 2016 - Insônia – Inspirado na obra de Edward Hopper. 2016 - Coordenou o NucineClube da Universidade Estácio de Sá - Campus João Uchõa. Master classes de roteiro e direção com Sir Richard Eyre, Carlos Reichnbach e outros.