O Insulto estreia amanhã, uma co-produção entre a França e o Líbano, que colocou o diretor Ziad Doueiri em maus lençóis perante as autoridades libanesas, levando-o a prisão e comparecer a um tribunal militar em setembro de 2017, por causa do filme. Portanto quando recebeu a notícia de que seu longa havia sido nomeado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro 2018, declarou ter se sentido “vingado”.

O Insulto-critica

A palavra Insulto segundo o dicionário Houaiss: 1 palavra, atitude ou gesto que tem o poder de atingir a dignidade ou a honra de alguém.

O filme trata do insulto que Toni – libanês cristão – faz a Yasser – um imigrante palestino ilegal, que está trabalhando em um projeto de obras de restauração mal trabalhadas no Bairro que Tony reside com sua mulher gravida. A partir deste insulto, Yasser responde com outro e Toni sentindo-se ferido em sua dignidade, faz um pedido formal de desculpas que Yasser também com suas questões se nega a dar.

Quem está com a razão?

Os dois possuem ferimentos e cicatrizes de uma guerra que os colocou naquela situação, onde o não dito por nenhum dos dois, é o motivo central. Quando o caso vai parar nos tribunais, um circo é montado (advogados, imprensa) causando uma comoção e levante entre cristãos libaneses e refugiados palestinos.

O Líbano não é uma exceção as consequências de um mundo globalizado e desumano, com um milhão e meio de refugiados que são hoje 1/3 da população do pais, o que o coloca proporcionalmente como o pais com mais refugiados no mundo.

A proposta do filme é de que não há só vítimas de um lado e do outros carrascos, ele fala sobre reconciliação, escuta e diálogo. Assim como a questão Palestina, existem libaneses que não superaram a guerra civil (1975/1990).

Na abertura do filme ouvimos o som dos movimentos na rua, vemos a tela preta, os créditos inicias seguidos da informação de que, trata-se de uma obra de ficção que traz a opinião do diretor e do roteirista, e não retrata a realidade no pais.

O Insulto-critica

Ziad Doueiri é libanês e foi assistente de câmera do Tarantino em “Pulp Fiction” e “Cães de Aluguel”, além da direção, ele assina o roteiro junto com Joelle Touma.

O elenco é afinado e com grandes momentos de Abel Karam como Tony Hanna, Kamel El Basha está esplêndido como Yasser Abdallah Salameh e temos ainda Rita Hayek , Diamand Bou Abboud, Camille Salameh.

As cenas do tribunal possuem ritmo de trilher, com uma câmera fechada, nos vemos dentro da “partida” onde estes dois homens estão com suas razões, num antagonismo ancestral e a cada movimento de um dos lados, reviravoltas acontecem, posicionando cada um em seu lugar na história de um Líbano dividido e ferido pela guerra.

O Insulto-critica

Nestas circunstâncias todos perdem, famílias se separam e o outro passa a ser o inimigo. A personagem Tony a certa altura recebe a visita de uma empresa de segurança oferecendo seus serviços para protege-lo de Yasser ou outro palestino que possa querer ataca-lo.

O que é justo? Quando a luta pela honra se torna cegueira e se transforma em ódio? Quem ganha nestas circunstâncias?

Resumo
O Insulto
Jacqueline Durans
Roteirista, Diretora e Produtora. Graduação em Cinema pela Universidade Estácio de Sá, formada pelo Teatro Escola Macunaíma, SP; Coprodutora, Roteirista e diretora dos curtas: 2017 - Curta documentário "Achei o meu nariz" 2016 - Cidade em Transe; 2016 - Insônia – Inspirado na obra de Edward Hopper. 2016 - Coordenou o NucineClube da Universidade Estácio de Sá - Campus João Uchõa. Master classes de roteiro e direção com Sir Richard Eyre, Carlos Reichnbach e outros.