Com uma legião de fãs e uma filmografia (quase) impecável, o diretor Quentin Tarantino é uma verdadeira lenda viva da sétima arte. Para comemorar a volta do diretor com o aguardado “Os 8 Odiados” dissecamos seus filmes destacando suas trilhas sonoras nada convencionais.

CÃES DE ALUGUEL (RESERVOIR DOGS, 1992)

O cartão de visitas do diretor demonstrando grande domínio na arte de chocar ao mesmo tempo em que entretém o público. A trama acompanha um grupo de criminosos que, após um mal sucedido assalto, se vê obrigado a desconfiar um do outro. O filme remonta às tramas policiais da década de 70. Tarantino faz uma ponta no início do filme como um dos criminosos. Com uma sequência de abertura marcante, Tarantino nos brinda com a música “Little Green Bag” de George Baker Selection. A outra pérola sonora do filme é “Stuck in the middle of you” de Stealers Wheel.

PULP FICTION – TEMPO DE VIOLÊNCIA (PULP FICTION, 1994)

O segundo longa dirigido por Tarantino marcou os anos 90 influenciando uma geração de fãs e ditando novas tendências cinematográficas. Pulp Fiction foi o primeiro grande sucesso do diretor mantendo uma atitude transgressora de imagens e linguagem. O roteiro baseia-se numa complexa trama temporal unindo três histórias que não são apresentadas em ordem linear. O longa levou o Oscar de melhor roteiro original, além de vários outros prêmios. A trilha sonora, que se tornou clássica, conta com “Girl, You’ll Be a Woman Soon” de Urge Overkill, e “You Never Can Tell” de Chuck Berry.

JACKIE BROWN (1997)

Um dos trabalhos mais subestimados do diretor talvez por ser inspirado em material já existente, o romance Rum Punch, de Elmore Leonard. Tarantino constrói uma trama policial muito bem intrincada e com grandes atuações da musa da blaxploitation – subgênero de filmes violentos com atores negros como protagonistas que foram comuns nos EUA durante a década de 70 – Pam Grier, do velha guarda Robert Forster indicado ao Oscar de ator coadjuvante pela atuação e de Robert De Niro. Mostrando total domínio de direção, Tarantino inclui na trilha sonora a marcante “Across 110th Street” de Bobby Womack.

KILL BILL – VOLUME 1 (2003)

Nesse jovem clássico, Tarantino criou personagens inesquecíveis. A perigosa assassina A Noiva (Uma Thurman, a musa do diretor) busca sua vingança contra um bando de outros assassinos capitaneados pelo cruel Bill (David Carradine). A primeira parte é a mais impactante estabelecendo a importância do cinema asiático para o diretor. Homenageando os filmes de Kung Fu, tendo em Bruce Lee seu maior expoente, passando por referências ao western spaghetti italiano, Kill Bill é um verdadeiro redemoinho de emoções que explode os sentidos. A balada “Bang Bang (My Baby Shot Me Down)” de Nancy Sinatra e a reconfortante “The Lonely Shepherd” do mestre romeno Gheorghe Zamfir marcam a trilha sonora.

KILL BILL – VOLUME 2 (2004)

A segunda parte de Kill Bill é mais verborrágica se comparada à primeira parte. Isso em nada empobrece o filme que, assim como o primeiro, tem sequências memoráveis como o treinamento oferecido por Pai Mei e a sequência final entre A Noiva e seu algoz, Bill. O filme se tornou Cult automaticamente após seu lançamento e consolidou a figura de Tarantino como ícone pop. A trilha sonora do filme foi composta por Robert Rodriguez por um dólar, favor que Tarantino devolveu ao amigo ao dirigir uma cena de Sin City – A Cidade do Pecado, também por um dólar. As músicas que marcam o filme são “Malagueña Salerosa” da banda Chingon e “Goodnight Moon” da banda Shivaree.

À PROVA DE MORTE (DEATH PROOF, 2007)

Juntamente com Jackie Brown, trata-se de outra pérola subestimada do diretor. O filme acompanha as peripécias de dois grupos de garotas que só querem se divertir, mas têm pela frente um lunático misógino chamado Dublê Mike (Kurt Russel numa atuação impagável). Originalmente parte do projeto Grindhouse, juntamente com o também diretor e amigo Robert Rodriguez, Tarantino homenageia os filmes que eram exibidos em sessões duplas durante os anos 70. O filme é visualmente retrô contando com duas primorosas cenas de perseguição que são o ponto alto da produção. A trilha conta com a dançante “Chick Habit” de April March, e a excitante “Down in Mexico”, do famoso grupo norte-americano The Coasters.

BASTARDOS INGLÓRIOS (INGLOURIOUS BASTERDS, 2009)

Muitos consideram o trabalho mais maduro do diretor. O certo é que Bastardos Inglórios já nasceu um clássico do cinema. Tarantino elaborou o roteiro por uma década. A trama acompanha um pelotão liderado pelo tenente Aldo Raine (Brad Pitt) com a missão de matar o máximo de nazistas possíveis numa França ocupada pelas tropas de Hitler, durante a Segunda Guerra Mundial. No meio desse cenário, temos a judia Shoshanna (a belíssima Mélanie Laurent) perseguida pelo coronel nazista Hans Landa (o ótimo Christoph Waltz que recebeu vários prêmios por sua atuação inclusive o Oscar de Melhor ator Coadjuvante). Tarantino reescreve a História sem perder o monumentalismo. ‘Acho que essa é minha obra-prima’, frase que fecha o filme, resume bem o que o diretor realizou. A trilha sonora conta com vários temas clássicos sendo a bela “Rabbia e Tarantella”, do mestre italiano Ennio Morricone e a balada pop “Cat People (Putting Out Fire)”, de David Bowie, são os destaques.

DJANGO LIVRE (DJANGO UNCHAINED, 2012)

Após Bastardos Inglórios, ficou difícil imaginar como Tarantino manteria a excelência cinematográfica em outro filme. A resposta veio com o excelente Django Livre que, mesmo não superando seu antecessor, não fica devendo nada. Homenageando outro subgênero caro ao diretor, o Western Spaghetti (filmes de faroeste dirigidos por diretores italianos que alcançaram grande sucesso durante os anos 60 e 70), a trama acompanha a parceria entre o escravo Django e o caçador de recompensa Dr. King Schultz pelo velho oeste americano. O título homenageia o filme Django (1966), dirigido por Sergio Corbucci e estrelado por Franco Nero, que faz uma participação especial. Contando com um roteiro dinâmico e atuações soberbas, sobretudo de Leonardo DiCaprio, o longa tem uma trilha sensacional que vai da clássica música tema interpretada por Luis Bacalov, passando pelos acordes country de “I Got A Name”, de Jim Croce até chegar a poderosa “Freedom”, de Anthony Hamilton e Elayna Boynton.