Os Power Rangers habitaram as manhãs e o imaginário de uma geração inteira de fãs apaixonados pela história clássica dos seriados japoneses de um grupo de jovens que recebem superpoderes e armaduras e tentam salvar o mundo de ameaças vilãs alienígenas. Mesmo sendo uma releitura norte-americana de um formato clássico da TV para crianças no Japão, a série jamais cuspiu nos deliciosos paradigmas de um original Super Sentai – grupo de cinco adolescentes, vilões extraterrestres histriônicos, lagartões destruindo maquetes de cidades e lutando contra robozões, faíscas e poeiras nas cenas de ação e por aí vamos. Universo e território muito arriscados para originarem um filme de longa metragem, ou pelo menos um que queiramos levar a sério, mas o diretor Dean Israelite e o roteirista John Gatins conseguiram esse feito e criaram um filme correto, divertido e com ingredientes para agradar tanto aos fãs da série original quanto aos cinéfilos não iniciados.

O filme conta a história dos jovens Jason (Dacre Montgomery), Billy (RJ Cyler), Zack (Ludi Lin), Kimberly (Naomi Scott) e Trini (Becky G.) que frequentam uma escola para alunos delinquentes na cidade de Angel Groove e descobrem poderes heroicos que utilizados em conjunto poderão salvar o planeta de uma ameaça alienígena capitaneada pela vilã Rita Repulsa (Elizabeth Banks). É louvável o trabalho do diretor nos enquadramentos e posicionamentos de câmeras percebidos nas primeiras cenas onde faz um incrível plano-sequência com a câmera dentro de um carro em uma perseguição. Nas cenas de combate e luta corporal, outra demonstração de excelência enquadrando em plano geral e deixando a porrada comer ao invés da famigerada câmera trepidante e inquieta dos filmes de ação.

Power Rangers

Os personagens também têm um bom desenvolvimento, conseguimos entender o perfil de cada Ranger, suas motivações e a questão da diversidade entre eles e o trabalho em conjunto apesar delas é exaltada e trabalhada. O roteiro bem-humorado até se perde um pouco nestas questões motivacionais prolongando demais as descobertas dos poderes pelos adolescentes causando um problema de ritmo no segundo ato do filme, mas nada que incomode muito, pois a boa montagem do filme faz com que nada se torne monótono e os easter eggs para os fãs de Power Rangers estão espalhado pelos cenários e podem ser deliciados para compensar. O casting do grupo de Rangers foi correto, os personagens têm química e acreditamos realmente que eles formam um conjunto heroico. Elizabeth Banks (de “Pagando Bem, Que Mal Tem?) fica em cima do muro na composição de sua Rita Repulsa, por vezes uma alienígena maligna realista, em outras a vilãzona histriônica. O ótimo Bryan Cranston (de “Breaking Bad”) dá vida a Zordon, mentor original dos Power Rangers e espécie de guru do grupo; a adaptação do visual do personagem do seriado para o filme é digna e excelente.

O filme ainda conta com uma boa trilha musical vinda das mãos de Brian Tyler (de “Constantine” e “Velozes e Furiosos 7”) que conseguiu a glória de inserir o maldito hino chiclete dos Power Rangers no filme na hora certa e de forma genial e catártica, fazendo com que a audiência de críticos sisudos da minha sessão batesse palmas em uníssono, como crianças diante de seu programa matinal preferido – Adorei! Os efeitos visuais são corretos e flertam com o realismo com sucesso. Apesar do conceito original ser rocambolesco, o filme nos inclina a acreditar que aquele grupo tem potencial para salvar o mundo contra uma real ameaça alienígena. E esqueça a pressa para deixar a sala de cinema, o filme tem cena pós –créditos e ela é ótima!

Resumo
Power Rangers
Wilson Antônio

Estudante de “Cinema e Audiovisual” na Universidade Federal Fluminense, Cirugião-dentista e DJ de música eletrônica, carioca da gema (mas torço pelo São Paulo Futebol Clube) e acredito que a felicidade se compra sim, nas bilheterias das salas de cinema! Entusiasta da historia do cinema mundial e da cinematografia européia. Agradeço ao cinema quem eu sou, como acordo, como como, como ando, como penso, como sinto e principalmente como amo!