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Quando Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros foi anunciado, confesso que fiquei um pouco apreensivo quanto ao filme. Não sabia o que esperar… Na verdade, eu não queria saber o que seria feito com umas das franquias cinematográficas que mais curto no mundo. Porém, após muito relutar, vi algumas fotos, li algumas poucas informações sobre o longa e acabei assistindo o seu último trailer (apenas uma única vez). E o que vi, despertou o meu interesse. E embora não tivesse criado nenhuma expectativa (graças a Deus) quanto ao filme, fiquei aguardando a sua estreia.

E ontem, dia 11 de junho, finalmente, Jurassic World chegou aos cinemas com a ideia de conquistar toda a nova geração, assim como o filme de 1993 conquistou a minha. Para isso, a franquia passou por uma atualização, levando os seres pré-históricos de encontro à modernidade dos dias atuais. Modernidade essa que transformou o parque em algo muito maior do que John Hammond, o criador do parque original, jamais poderia sonhar.

O parque já é um lugar consolidado, com milhões de pessoas visitando-o todos os dias. Para se ter uma ideia, durante o filme, há pelo menos 20.000 pessoas no local. O que de certa forma provoca um certo choque, pois a trama de Jurassic World percorre a trilha do caos deixado pelos filmes anteriores. Todos sabem o que aconteceu no passado, a destruição, as mortes… E ninguém se importa realmente. O que interessa é estar ali e vivenciar toda a experiência, lado a lado com os répteis gigantescos, como se estivesse aproveitando o dia em um zoológico qualquer. Há um arrebatamento, um encantamento digno daquele sentido por um visitante da Disneylândia. As pessoas passam a sensação de que estão diante do Mickey Mouse em vez de estar frente a frente com as criaturas mais poderosas que já viveram nesse planeta, e que podem esmagá-las com um simples movimento ou destroçá-las com suas garras e presas.

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Em sã consciência, ninguém deveria sequer pensar em colocar os pés na Ilha Nublar, local onde o parque foi construído. Só o fato de alguém ter a “brilhante” ideia de reconstruir o lugar é um absurdo… Ah, a humanidade e o seu dom de persistir em seus próprios erros. Como eu disse, o que aconteceu anteriormente, não importa nenhum pouco. O parque foi reconstruído, ganhou um novo nome, novas atrações (a ideia é criar dinossauros cada vez maiores e mais ferozes para manter o interesse do público que já se acostumou com as atrações jurássicas) e todo o meio de artifícios para atrair um público cada vez maior, e assim, encher os bolsos dos donos e investidores do parque com muita grana.

No lugar de fósseis, vemos dinossauros holográficos andando pelos corredores dos salões do parque. Telas interativas estão a disposição do público em qualquer canto, e veículos ultramodernos em forma de bolha pode levar qualquer um para um passeio em meio aos dinossauros. Neste novo parque, quase não há barreiras. Dessa vez, o público tem um contato maior com as feras, podendo fazer livremente um passeio de canoa em um rio que corta o território dos Estegossauros, por exemplo, ou deixar com que seus filhos alimentem ou brinquem com os dinossauros numa espécie de recreação infantil. Surreal!

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Apesar de todas essas mudanças, o filme tenta, a todo momento, resgatar o espírito do original, como uma espécie de homenagem. Muitos easter-eggs nos levam em uma viagem pelo tempo e pela memória. É divertido reconhecer cada uma das referências mostradas aqui e ali. De cara estão lá a clássica música tema composta pelo mestre John Williams, e o DNA falante do primeiro filme, assim como os mosquitos aprisionados em âmbar e o laboratório de genética, só para citar alguns. Também estão lá o par de crianças perdidas no parque, dessa vez mais espertas e menos dependentes que os netos de Hammond no original. O casal da vez – Christ Pratt e Bryce Dallas Howard – também remete à dupla de protagonistas do primeiro filme, muito embora aqui eles não sejam cientistas, mas um caçador e uma executiva, respectivamente, cuja tensão sexual é o que garante alguns dos poucos momentos engraçados do longa, que se transforma em uma aventura de horror quando o caos se espalha pelo parque, aproximando o filme do livro de Michael Crichton, que deu origem à franquia.

E o caos começa quando a Indominus Rex, nova cria dos cientistas que “brincam de Deus”, escapa do seu confinamento. Modificada geneticamente, ela é dotada de uma inteligência e uma crueldade proporcionais ao seu tamanho. Nunca existiu criatura mais letal na história da franquia. O “monstro” toca o terror nos humanos e nos outros dinossauros – dinossauros esses que estão cada vez mais verossímeis, graças ao sempre frequente avanço da tecnologia de computação gráfica. Um exemplo disso é o impressionante Mosassauro, o dinossauro aquático que surge em uma espécie de Sea World jurássico.

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A caçada à Indominus, obviamente, se dá em meio a muita tensão e sangue, e culmina em uma batalha que beira ao épico, que te faz vibrar (eu vibrei!), e sair do cinema satisfeito e feliz por saber que nem toda releitura ou reboot é ruim e destrói o material original.