É a partir do “grito” de um indivíduo e suas experiências, movendo pedras, destruindo paradigmas e abalando a letargia cotidiana, que as grandes transformações se iniciam – para e pelo coletivo – através do eco no outro, causam mudanças significativas de pensamentos e cultura.

O filme, Uma mulher Fantástica de Sebastián Lelio, é sobre a coragem da escolha individual, de ser quem você quer ser. Um filme como diria um amigo, Vicente de Mello, repleto de silêncios ruidosos.Uma mulher Fantástica critica

Trata-se da história de uma mulher Trans, Marina Vidal, que ao perder seu grande amor – Orlando – para a morte, se vê impedida pela família dele e alguns representantes legais da sociedade, de velar seu amante que ainda a massacram verbalmente, fisicamente e psicologicamente. Eles querem coloca-la, diante de um espelho que seu reflexo seja de uma aberração e Marina passa então, a viver num estado violento, através da intolerância, do preconceito e do medo que o outro sente pelo diferente.

Em sua primeira experiência como atriz, a cantora lírica Daniela Vega está potente em seu trabalho de estreia como atriz, uma pena que a química com o ator Francisco Reyes não imprime. Sebastián Lelio junto com Gonzalo Maza, assinam o roteiro que é linear com poucos diálogos e preciso, para nos contar essa história de amor entre dois seres humanos, perdas e preconceitos. A fotografia, revela pelos closes de Marina seu ultraje, a crescente raiva, e desespero. Os planos gerais possuem uma grafia poética da solidão, que sufoca com os tais desertos que todos nós atravessamos, e que nos pede posicionamentos diante das “tempestades” e “furacões”, que invadem nossos caminhos vez ou outra. Marina Vidal, atravessa o seu “Saara”, ela transborda como as Cataratas do Niágara, emergindo para respirar, amadurecida e viva.

Resumo
Uma mulher Fantástica
Jacqueline Durans

Roteirista, Diretora e Produtora. Graduação em Cinema pela Universidade Estácio de Sá, formada pelo Teatro Escola Macunaíma, SP; Coprodutora, Roteirista e diretora dos curtas: 2017 – Curta documentário “Achei o meu nariz”
2016 – Cidade em Transe; 2016 – Insônia – Inspirado na obra de Edward Hopper. 2016 – Coordenou o NucineClube da Universidade Estácio de Sá – Campus João Uchõa. Master classes de roteiro e direção com Sir Richard Eyre, Carlos Reichnbach e outros.