Sob a direção de Luc Besson, o filme Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é um filme de ficção científica inspirado na história em quadrinhos Valerian e Laureline, que fora publicada na França a partir de 1967. As aventuras da dupla teriam se tornado pioneiras no gênero de ficção científica, inspirando o clássico Star Wars, de George Lucas, Avatar, de James Cameron e muitos outros filmes. Os autores Pierre Christin e Jan-Claude Mézières apostaram em protagonistas que viajavam no tempo e no espaço, na exploração do mesmo e na conscientização ecológica na narrativa, em um momento em que esta temática ainda não era muito visada. As personagens principais Valerian e Laureline nasceram em séculos divergentes; ela no XI e ele no XXVIII e juntos, passeavam por dimensões e pelo Universo, em que ela se tornara a primeira protagonista feminina com uma personalidade forte, nos quadrinhos europeus. Conforme a personagem vai se desenvolvendo como uma jovem segura de si, vai tendo o mesmo peso que Valerian, se tornando inspiração para a criação de outras personagens de filmes do gênero, as jovens leitoras e diversos pais franceses que batizaram suas filhas com o nome da protagonista. A princípio publicada como Valerian, a série a partir de 2007, é editada e reeditada como Valerian e Laureline.

Neste contexto, o cineasta francês Besson, que lera a série quando jovem, trabalha na adaptação para as telas e envia o roteiro para a dupla de autores, que o elogiam bastante e é qualificado por Mézières como “fascinante”. O cineasta já havia referenciado bastante o universo de Valerian em seu filme O Quinto Elemento (1997) e, vinte anos mais tarde, lança a sua visão sobre a série na versão cinematográfica, cinquenta anos após as publicações. Como hoje, o filme contribui para o contexto em que vivemos e como se podem alterar algumas interpretações? Na obra, há temas que hoje são mais comuns e mais abordados do que eram nos anos 1960, como a ecologia, a representação de mulheres como figuras fortes, a tecnologia e o conhecimento do espaço. Valerian poderia ser mais um filme do século XXI que aborda estes temas, se não reiterasse os conceitos anteriores que já eram abordados antes dos lançamentos dos muitos clássicos do gênero de ficção científica citados, com o conceito de exploração espacial anterior, inclusive a 2001 – Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick e à chegada do Apolo 11 à Lua.

Uma característica da atualidade que pode ser apontada no filme é a mensagem de uma boa convivência entre os diversos povos do Universo e o respeito à natureza, o que nos é transmitido através da alegoria do povo que vive em harmonia com o planeta, grato ao que ela lhe dá, respeitando o seu ritmo, porém, cheio de riquezas naturais, que é dizimado por outros povos em virtude da ganância. A riqueza que todos buscam é um pequeno animalzinho proveniente deste planeta capaz de gerar minerais com quantidades enormes de energia, o que contribui com as mensagens ecológicas e de valorização dos demais seres vivos. Outra assinatura do século XXI é a representação da força de Laureline (Cara Delevingne), que desde o princípio do filme mostra um desempenho incrível nas resoluções dos conflitos ao longo do filme, muitas vezes, auxiliando e salvando Valerian (Dane DeHaan), quem se diz apaixonado por ela e disposto a casar, o que é muitas vezes,recusado por ela, com a justificativa de que ele tem uma quantidade muito grande de casos amorosos e ela não quer ser mais uma amante. O poder, a capacidade e a decisão da jovem são valorizados desde o princípio.

Porém, apesar da capacidade que a história em quadrinhos tinha de propor um filme inovador, o roteiro não apresenta olhares originais ou algo que que traga uma nova visão de mundo ao espectador. A narrativa de Valerian é comum e, apesar da alguns pequenos conflitos serem bem construídos, a estória carece de uma questão central consistente; cria-se muita expectativa para a identidade do planeta que fora dizimado, de origem do pequeno ser buscado por todo o universo, sem um maior aprofundamento em sua cultura ou explicação sobre os mistérios além do já sabido, que era abrigar o ser procurado ao longo do filme. Porém,os efeitos especiais e a produção do filme são excelentes, criando ambientes interessantes e envolventes, com diversidades entre seres de planetas diferentes e outras dimensões, o que torna a representação mais verossímil; pequenos detalhes de cada mundo foram criados,o que traz à obra uma grande oferta de lugares imaginários muito interessantes, que reforçam a ideia de pluralidade universal. O filme contou com as atuações de Ethan Hawke, John Goodman, Clive Owen e a cantora Rihanna, que atua como a simpática Bubble, que auxilia a dupla ao longo da narrativa.

Resumo
Valerian e a Cidade dos Mil Planetas
Julhia Quadros

Com experiências prévias com Dança, que pratica há quinze anos, e Poesia, com algumas obras publicadas em livros, estuda cinema é amante de música, teatro e todos os tipos de artes. Gosta de escrever como uma contribuição ideológica para o mundo e busca, com os seus textos, trazer um novo olhar para os filmes abordados através de sua opinião.