Um júri de Milwaukee emitiu uma decisão histórica na quinta-feira, declarando a juíza distrital dos EUA Hannah Dugan culpada de obstrução, uma acusação decorrente de seu suposto envolvimento em ajudar imigrantes mexicanos a fugir das autoridades federais. O caso tornou-se um ponto crítico no debate nacional mais amplo sobre a aplicação da imigração, especialmente durante a repressão da administração Trump aos imigrantes indocumentados.
Dugan enfrenta duas acusações: obstrução criminosa e ocultação de uma pessoa para evitar a prisão. O júri, após seis horas de deliberação, absolveu-o da acusação de ocultação, mas condenou-o pela acusação de obstrução. A condenação acarreta pena máxima de cinco anos de prisão, embora os detalhes da sentença ainda não sejam conhecidos.
As ações de Dugan ocorreram durante um incidente em abril, no qual autoridades de imigração chegaram a um tribunal de Milwaukee para prender Eduardo Flores-Ruiz, de 31 anos, que supostamente estava ilegalmente no país. Dugan supostamente sabia que os agentes estavam lá e saiu de seu quarto para confrontá-los, questionando a validade do mandado e encaminhando-os para outro local, o que, segundo os promotores, levou Flores-Ruiz a fugir.
Depois que Dugan deixou a trilha, ele supostamente resolveu o caso de Flores-Ruiz, permitindo que ela comparecesse à próxima audiência via Zoom e acompanhando-a em uma saída privada. Os funcionários da imigração perseguiram Flores-Ruiz fora do tribunal e prenderam-no após uma curta perseguição a pé. Mais tarde, ele foi demitido, de acordo com um comunicado do Departamento de Defesa dos EUA.
O procurador dos EUA, Brad Schimel, defendendo a posição do procurador, insistiu que o caso não era político, instando o público a respeitar a decisão do juiz, ao mesmo tempo que sublinhava a importância da aplicação da lei no tribunal. O procurador-geral adjunto, Todd Blanche, ecoou esse sentimento, sublinhando que a iniciativa se aplica a todos, incluindo os juízes.
A equipe jurídica de Dugan expressou decepção com o veredicto, especialmente à luz do que consideraram semelhanças entre as duas acusações. Eles argumentaram que Dugan pretendia seguir as regras do tribunal e não tinha intenção de obstruir as agências federais.
A decisão aumentou as tensões em torno da política de imigração de Trump, com os críticos a chamarem Dugan de “juiz activista”, enquanto os seus apoiantes argumentam que o seu caso é emblemático das medidas punitivas da administração contra a dissidência judicial. À medida que o caso avança, as suas implicações para a independência judicial e a aplicação da imigração permanecem na vanguarda do discurso nacional.















