O Presidente do Montenegro, Jakov Milatovic, confirmou durante a reunião o seu desejo de que o seu país adira à União Europeia em 2028. Além disso, manifestou a expectativa de que em 2025 se inicie o processo de elaboração do acordo de adesão à UE, descrevendo-o como “um passo importante para a adesão final e plenamente desenvolvida à União Europeia”. Estas declarações fazem parte da conferência de Bruxelas, onde a expansão do bloco e o impulso para a integração dos Balcãs Ocidentais têm estado no centro do debate. Segundo a agência Europa Press, os líderes da União Europeia e dos Balcãs sublinharam que a união do grupo é atualmente apresentada como “uma realidade potencial que deve ser aproveitada”, destacando a urgência geopolítica e a necessidade de reformas internas para fazer face às ameaças externas.
A declaração conjunta da cimeira, assinada por todos os participantes, exceto a Sérvia, reafirmou o “compromisso total e inequívoco” com a adesão dos países dos Balcãs à União. A Europa Press destacou detalhadamente que tanto os representantes europeus como regionais destacaram o “novo dinamismo e os progressos alcançados” na esfera social e consideraram que o progresso do processo de integração é do interesse da sociedade. O documento afirma que “o alargamento é um investimento geopolítico na paz, segurança, estabilidade e prosperidade” e apela aos Balcãs para que acelerem as reformas nacionais enquanto a UE tenta reforçar a sua preparação interna.
A reunião em Bruxelas serviu de prelúdio para uma reunião de chefes de Estado e de governo europeus, numa altura em que o conflito na Ucrânia destacou preocupações sobre a estabilidade geopolítica e a influência de actores externos, especialmente a Rússia. A Europa Press informou que o chanceler austríaco, Christian Stocker, insistiu em garantir uma “situação estável nos Balcãs” e disse que era a “cidade mais próxima” da UE. Stocker enfatizou os benefícios estratégicos de evitar que outros intervenientes preencham o vazio geopolítico na região. Descreveu Montenegro e a Albânia como os países com visão mais favorável à adesão ao bloco no curto prazo e recomendou que os restantes candidatos não fossem devolvidos.
Pelo contrário, Andrej Plenkovic, o Primeiro-Ministro da Croácia, apelou à manutenção da unidade e ao avanço para a integração de toda a região, sem salvar progressos significativos para a Ucrânia ou a Moldávia. Disse que o movimento actual permite uma perspectiva diferente do passado e tem suscitado uma falta de consciência, do ponto de vista estratégico, para que alguns países acelerem a sua adesão enquanto outros avançam a um ritmo mais lento.
Em nome do Parlamento Europeu, a Presidente Roberta Metsola afirmou, segundo a Europa Press, que o alargamento da UE representa a melhor opção para garantir a estabilidade geopolítica do grupo. Ele apelou para convencer os cidadãos dos países membros sobre a importância da integração dos Balcãs. Contudo, Metsola alertou para a necessidade de ajustes internos, salientando: “o que funciona para 27 agora não funciona para 32, 33 ou 34”, ao falar do número de possíveis membros. Ele acredita que é necessário mudar a forma de tomada de decisão, orçamentação e gestão política para manter a eficácia das instituições públicas.
A posição da Sérvia, ausente da cimeira, recebeu especial atenção do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que, segundo noticiou a Europa Press, considerou este país “chave na região”. Orbán criticou o tratamento dado por Bruxelas ao governo sérvio e exigiu que Belgrado interviesse como prioridade, dizendo: “Sem a Sérvia, nada pode ser feito. E o que está a acontecer aqui, o tratamento e o comportamento em relação à Sérvia, quero dizer.”
Dos Balcãs, o presidente do Kosovo, Vjosa Osmani, defendeu que o progresso do seu país rumo à União Europeia significa o fracasso da estratégia da Rússia na região. Osmani acusou a Sérvia de ser um representante do Kremlin e alertou para um aumento no orçamento russo dedicado à desinformação e à propaganda dirigida à região. Ele disse que Moscou triplicou esses fundos e “infelizmente usa a Sérvia como intermediária”. Osmani sublinhou a necessidade de avançar no processo de adesão para combater os efeitos da guerra na Ucrânia e evitar que migrem para os Balcãs. Da mesma forma, o presidente insistiu que a integração deve basear-se nos méritos de cada país, e destacou que quem não cumprir os requisitos, referindo-se à Sérvia, poderá dificultar o funcionamento da União.
A Europa Press salientou que a situação no Kosovo continua ambígua, uma vez que países como Espanha, Grécia, Chipre, Roménia e Eslováquia ainda não reconheceram a sua independência da Sérvia. Pristina enfrenta sanções financeiras e diplomáticas da Comissão Europeia em 2023 devido à falta de progressos nas negociações para normalizar as relações com Belgrado.
O Montenegro posiciona-se como o país mais avançado no processo de adesão à União Europeia, em contraste com outros países da região que progridem a velocidades diferentes. Segundo o próprio Presidente Milatovic, o início da elaboração do acordo de adesão em 2025 representa um passo significativo rumo à adesão plena.
A declaração final da cimeira mostrou a urgência de manter a dinâmica das reformas e do progresso democrático, apontando para a necessidade da região dos Balcãs e da própria União se prepararem estruturalmente para os desafios apresentados pela inclusão de novos membros. A Europa Press destacou que a perspetiva de adesão aos Balcãs continua a ocupar uma posição prioritária na agenda europeia, reforçando o atual ambiente de segurança internacional e a influência de terceiros na região.















