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O Tribunal de Justiça argentino declarou nulo e sem efeito o protocolo anti-piquetes do governo, o que aumentará a pena.

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O juiz federal Martín Cormick decidiu que as pessoas que considerem ter sido prejudicadas pelas ações da polícia de acordo com o chamado protocolo anti-piquetes devem apresentar queixa sobre cada crime perante o Tribunal. Esta decisão surgiu após a análise judicial de um regulamento que tem causado muito debate na Argentina, desde a sua entrada em dezembro de 2023. Conforme relatado por Todo Noticias, o juiz Cormick anulou o protocolo devido ao descumprimento dos requisitos legais relativos à sua implementação e publicação, o que afeta diretamente as restrições impostas pelo Estado a certas formas de protesto social.

Segundo Todo Noticias, o princípio foi originalmente promovido por Patricia Bullrich durante o seu mandato como Ministra da Defesa e depois defendido pela sua sucessora, Alejandra Monteoliva, bem como pelo Ministério da Defesa. Após a decisão, o Executivo argentino confirmou a intenção de recorrer da decisão, afirmando que a ausência do protocolo afetaria a capacidade do Estado de manter a segurança. O Ministro afirmou em comunicado que “sem o caos do Protocolo”, sublinhou que as regras foram desenvolvidas com base técnica, jurídica e operacional e que irão protegê-lo como “um instrumento que restaura a segurança, a previsibilidade e a paz social”. O ministério confirmou que o protocolo permitiu garantir a livre circulação e “que as ruas pertencem a quem opta por voltar a trabalhar”.

A anulação das normas resultou de uma ação movida pelo Centro de Estudos Jurídicos e Sociais (CELS), entidade que afirmou em X que esta decisão judicial “limita o que o Ministério da Paz pode fazer: não pode limitar os direitos constitucionais”. O CELS destacou a diversidade de atores sociais envolvidos no processo legal, incluindo sindicatos, partidos políticos, movimentos sociais, povos indígenas, organizações de direitos humanos e ambientalistas, que descreveu como representantes-chave desta “vitória comum”, conforme relatado por Todo Noticias.

A decisão do juiz Cormick detalha que o protocolo apresentava falhas administrativas essenciais, comprometendo a legalidade de sua implementação. Além disso, o decreto especifica que qualquer pessoa que sinta que os seus direitos foram violados no âmbito dos procedimentos policiais baseados na lei revogada deve recorrer aos tribunais criminais para tomar medidas legais, informou Todo Noticias.

O governo de Javier Milei reagiu imediatamente à sentença. O Ministério da Paz anunciou que vai intentar uma acção judicial, sublinhando a legalidade do protocolo e insistindo que este “não proíbe, mas obriga”, posição que reforça o argumento do partido no poder. Segundo o comunicado, a lei reconhece o direito ao protesto, embora também imponha condições para garantir a liberdade de circulação e de actividade comercial.

Alejandra Monteoliva, atual chefe da Defesa, manifestou na rede social que o veredicto responde aos interesses da “velha política”, e confirmou que “não haverá recuo” na implementação das medidas de controlo dos protestos. Segundo Todo Noticias, tanto Monteoliva quanto Bullrich, atual senador e grande defensor do protocolo, repetiram o slogan oficial e questionaram publicamente as ações do juiz. Bullrich confirmou que o juiz Cormick é “contra (…) o Governo” e alertou que ao cancelar o protocolo prejudica “os argentinos que querem trabalhar, viajar e viver em paz”.

A questão do protocolo anti-piquetes tornou-se mais importante desde o final de 2023, quando o governo nacional o apresentou como a principal ferramenta para controlar o desenvolvimento dos protestos de rua, com foco na protecção da livre circulação e da actividade económica. Esses princípios geraram apoio e rejeição em diversas esferas sociais e institucionais, resultando em processos judiciais como os apresentados pelo CELS e em debates no Congresso. Vários grupos sociais e políticos argumentaram desde o início que a lei violava os direitos e liberdades constitucionais, um argumento que ecoou em recentes decisões judiciais.

A decisão de Cormick, destacada pelo Todo Noticias, ainda está em investigação no Executivo, onde a equipa jurídica prepara as razões do recurso às autoridades superiores. O resultado deste processo legal conduzirá não só ao futuro imediato do protocolo anti-piquetes, mas também ao âmbito da autoridade do Ministério da Paz para controlar manifestações públicas.



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