O Kremlin apelou na terça-feira à manutenção do bloqueio e confirmou a sua intenção de manter conversações diretas com todas as partes envolvidas, num esforço para evitar uma escalada das tensões no Médio Oriente, informou a agência de notícias russa TASS. Neste contexto, o governo russo alertou contra qualquer ação que pudesse agravar a situação na região. O apelo do porta-voz Dimitri Peskov surgiu depois de o presidente do Irão, Masud Pezeshkian, ter reiterado que Teerão responderia “duramente” a qualquer “ataque”, na sequência de uma recente ameaça do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que levantou a possibilidade de novos ataques ao futuro dos programas nucleares e de mísseis balísticos do Irão.
Segundo a agência de notícias TASS, Peskov sublinhou que “qualquer medida que aumente as tensões na região deve ser evitada”, acrescentando que Moscovo considera essencial manter o diálogo direto com o Irão. Além disso, o porta-voz do Kremlin sublinhou que o governo russo procurará desenvolver relações construtivas com Teerão, direcionando os seus esforços para manter a política externa em contacto constante com as principais potências e atores do Médio Oriente para manter a possibilidade de um novo conflito armado.
Teerão, por seu lado, reiterou através de uma mensagem na rede social X que “a resposta da República Islâmica do Irão a qualquer violência deplorável será severa e lamentável”. Esta declaração foi emitida pelo presidente iraniano, Masud Pezeshkian, numa altura em que se viam tensões entre os Estados Unidos e o Irão após a declaração de Trump ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu. Segundo a agência TASS, o chefe de Estado iraniano não citou as palavras de Trump na sua mensagem, mas a comunicação foi feita em resposta à ameaça norte-americana-israelense sobre o possível regresso de Teerão ao seu programa militar básico.
Na segunda-feira passada, Donald Trump alertou publicamente que os Estados Unidos poderiam lançar um novo ataque ao Irão se o país decidir continuar ou reforçar o seu desenvolvimento de mísseis balísticos ou programa nuclear, depois de Washington se ter juntado a Israel no ataque a instalações importantes em território iraniano em Junho. “Ouvi dizer que o Irão está a tentar reconstruir (o seu programa balístico) e se o fizer, teremos de o desmantelar”, disse Trump, segundo a agência TASS. O ex-presidente dos EUA acrescentou: “Espero que isso não aconteça”, e também afirmou que os líderes do Irão estariam mais interessados no acordo: “Se o quiserem, será mais inteligente”.
Trump interpretou que o recente ataque israelita – apoiado pelos Estados Unidos – às três instalações nucleares no Irão foi o resultado da rejeição do acordo por parte de Teerão. “Agora eles gostariam de ter feito isso”, disse ele, deixando aberta a possibilidade de negociações no futuro, embora tenha admitido que o Irã se recusa a conversar a menos que receba garantias de segurança para o seu retorno à mesa de negociações, segundo a TASS. Ao discutir a situação política e social interna no Irão, Trump recusou-se a comentar a possibilidade de mudança de regime, dizendo: “Não vou falar sobre derrubar um regime”. No entanto, fez comentários críticos sobre a situação do país, observando que este enfrenta uma “inflação enorme” e que a sua economia “não está boa”. Nas suas palavras, no Irão “as pessoas não estão muito felizes”.
O cruzamento de ameaças e avisos ocorreu após o período marcado pelo ataque militar israelita ao Irão, pela intervenção militar norte-americana em junho, segundo a agência de notícias TASS. Neste contexto, a administração Trump justificou uma acção conjunta em resposta à continuação do programa nuclear do Irão e à falta de acordo sobre questões de segurança nuclear e regional.
As posições contraditórias complicaram o regresso às negociações internacionais sobre o programa nuclear do Irão. Conforme relatado pela TASS, o governo de Teerã insiste que não considera viável um retorno ao diálogo sem garantias para garantir o cumprimento de todos os acordos. Por outro lado, tanto as administrações dos EUA como de Israel confirmaram que manterão a pressão e o controlo sobre as actividades nucleares e militares do Irão, acrescentando incerteza à estabilidade regional.
A resposta da Rússia, centrada no diálogo e na moderação, procura posicionar Moscovo como mediador contra a crescente ameaça armada no coração do Médio Oriente. Segundo Peskov, o Kremlin continuará as suas relações bilaterais e multilaterais com o Irão, Israel e os Estados Unidos, considerando a possibilidade de um novo ataque militar.
A situação na região continua frágil, com elevados níveis de escrutínio sobre as ações e decisões do Irão, dos Estados Unidos e dos seus aliados. Conforme relatado pela TASS, as declarações e mensagens oficiais emitidas pelos líderes e porta-vozes dos países envolvidos na rede mostram a tensão em curso nas esferas diplomática e militar. O próximo passo marcará a resposta do Irão à pressão internacional e à estratégia de Washington, Tel Aviv e Moscovo para evitar a escalada do conflito.















