O presidente da Câmara de Madrid, José Luis Martínez-Almeida, ‘entrou’ quando se resolveu a sombra de dúvida sobre a sua intenção de ser candidato às próximas eleições e o ano de 2026 será o ano para completar o seu legado, ou seja, completar o sepultamento da A-5 e Castellana Norte e a cobertura de Ventas na M-30.
Este último ano foi muito importante para a vida pessoal e política do prefeito, que fez sua primeira paternidade ao receber seu primeiro filho, Lucas, no verão passado. Disseram-lhe antes do nascimento que a chegada de um filho muda a vida e Almeida pode confirmar isso: na tristeza da licença parental deu uma entrevista em que admitiu que a sua vida mudou tanto em pouco tempo que precisava de “reflexão” ainda em 2027.
Também deixou claro desde o primeiro momento que sua agenda seria flexibilizada, priorizando o retorno de sua família ao Palácio de Cibeles, esclarecendo qualquer tipo de dúvida sobre sua continuação, principalmente sobre uma frase que poderia ser interpretada demais.
O CANDIDATO DEPENDE DO ‘PRESIDENTE’ DA SUA FAMÍLIA
“Se as eleições fossem realizadas amanhã, não há dúvida de que eu seria o candidato mais disposto a tentar confirmar o cargo de presidente da Câmara de Madrid pela terceira vez”, disse aos jornalistas. “Vencer”, “poder” e “entusiasmo” foram três das palavras que ele mais usou para descrever como se sentia em relação às eleições de 2027.
E fê-lo sublinhando que, em qualquer caso, ser candidato às eleições autárquicas depende do presidente do PP, Alberto Núñez Feijóo; da presidente do PP e Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, e com o seu humor habitual, da ‘presidente da sua casa’, sua esposa, Teresa Urquijo. “E não preciso falar disso na ordem em que falei para ele que sim, vamos conseguir fazer um acordo”, brincou em um café da manhã informativo diante de Feijóo.
LEGADO DE ALMEIDA
A última conferência de imprensa de 2025 preparou Almeida para avançar que 2026 será o ano da habitação, pelo que “será construída em massa no próximo ano”, confirmando a capital como “a primeira cidade com oportunidade de construir habitação acessível em Espanha e na Europa”; a do bairro, com a apresentação em janeiro da Estratégia Sul, e o fim da “grande fase de transformação urbana de Madrid Río” porque no próximo ano será concluído o soterramento da A-5 e Castellana Norte e a cobertura de Ventas na M-30.
É exactamente esta a tríade que dá forma ao ‘Lova Almeida’, no qual agradeceu aos cidadãos a “paciência e compreensão” face a uma série de obras de transformação urbana. O autarca esclareceu que o ano de 2025 é “um ano de força, de muito trabalho e que nos permitirá cumprir os objetivos traçados nesta assembleia nacional”, com “investimentos históricos na habitação, na política social, na segurança e na transformação da cidade”.
O primeiro autarca está convencido de que o próximo ano será “o culminar de uma grande fase de transformação urbana que a cidade sofreu desde o Madrid Río” porque “não houve nenhum investimento em infraestruturas tão extraordinário e importante como o feito nesta legislatura e estará concluído antes do final de 2026”, ao nível da A-5, Castellana Norte e Castellana Norte.
Foi também um “ano frutífero” para fazer de Madrid “de uma grande referência local a uma grande referência global”. “2025 foi um bom ano mas 2026 deverá ser ainda melhor para a cidade de Madrid. O prefácio é a aprovação do orçamento”, destacou.
A RELAÇÃO COM OS OPONENTES
Almeida despediu-se do ano convidando todos os grupos políticos, excepto ele próprio, a examinarem as suas consciências e a serem cidadãos “iguais”.
“Votaram em nós e deram-nos a sua confiança no direito mais sagrado da democracia, que é colocar o voto nas urnas. Devemos fazer jus a essa confiança e questionar-nos se o fizemos durante esta Assembleia Nacional, por isso todos devem fazer o exame de consciência que devem fazer”, segundo o seu relatório.
Em janeiro, regressará da licença de maternidade a líder do Más Madrid, Rita Maestre, com quem Almeida brigou durante este mandato, embora sem dúvida a relação mais difícil seja a sua relação com o porta-voz socialista da Câmara Municipal e o secretário-geral da cidade de Madrid do PSOE, Reyes Maroto.
Desde março, Almeida pensava que a relação com Maroto estava rompida – só foi chamado à ação institucional – depois de algumas palavras do socialista, que repetiu mais tarde ainda quando foi a tribunal, sobre os que morreram na residência durante a primeira vaga de Covid.
Maroto deixou claro que não suportará novamente a provocação do prefeito quando for “falsamente acusado de corrupção” e abrirá uma ação contra ele na próxima vez. Almeida respondeu que a última pessoa que “tentou intimidá-lo e silenciá-lo sobre a corrupção do PSOE e ameaçou processar chama-se Santos Cerdán”.
Nem será pacífica a relação entre o autarca e o porta-voz do Vox, Javier Ortega Smith, que acaba de ser “afastado” do executivo do seu partido. “A base para criar confiança é a confiança daqueles que fazem parte do seu próprio partido”, disse ele na última convenção do ano.
Na hora do ‘monitoramento’ ainda estará decidido se em 2027 Almeida conseguirá reconquistar uma segunda maioria absoluta ou se precisa do voto do Vox que indica tudo que Ortega não será candidato.
Almeida descreve o PP do qual é membro como “bom senso”, enquanto uns (Vox) o chamam de “globalista” e outros (Más Madrid e PSOE) de “rejeitado”. Está convencido de que “como eles (os cidadãos) confiaram em 2019, como confiaram nesta matéria com maioria absoluta em 2023, podem continuar a confiar com tranquilidade em 2026 e para 2027 que continuarão a ter uma equipa governamental focada, razoável, que tenha bom senso e que não se importe com excessos”.















