Início Notícias Principais comerciantes de soja desistem de acordo para proteger a floresta amazônica

Principais comerciantes de soja desistem de acordo para proteger a floresta amazônica

70
0

Um grupo que representa alguns dos maiores comerciantes de soja do mundo está se retirando de um acordo histórico criado no Brasil para proteger a floresta amazônica do desmatamento. Muitas das árvores que foram cortadas ou queimadas nesta área são derrubadas pelas pessoas para cultivar soja para alimentação do gado.

O grupo industrial Abiove, que tem como parceiros comerciais Archer-Daniels-Midland Co., Bunge Global SA, Cargill Inc. e Louis Dreyfus Co., disse em comunicado na segunda-feira que estava se retirando da Moratória da Soja, acrescentando que o acordo criado em 2006 “cumpriu seu papel histórico”.

A medida é um grande revés para a iniciativa de 19 anos que tem sido elogiada, mas cada vez mais criticada pelos agricultores do país.

A moratória é um acordo no qual os comerciantes prometem não trabalhar com soja cultivada na Amazônia desmatada depois de 2008. Grupos de agricultores como a Aprosoja Mato Grosso rejeitaram o acordo, que afirma que o acordo estabelece regras mais rigorosas do que a lei nacional do Brasil sobre proteção florestal.

O anúncio da Abiove ocorreu depois que Mato Grosso, principal estado produtor de soja, adotou uma lei que retira benefícios fiscais aos comerciantes que cumprem a moratória. A decisão do Supremo Tribunal de Novembro tranquilizou parcialmente o Estado e, desde 1 de Janeiro, os comerciantes que apoiam o acordo deixarão de receber benefícios fiscais. A promotoria pediu um atraso de quatro meses na implementação da lei.

“A Moratória da Soja não foi abolida por pressão legal: ela ainda existe, mas foi destruída pela decisão voluntária das empresas de sair”, disse o WWF Brasil, uma organização ambiental sem fins lucrativos, em um comunicado. “Ao fazê-lo, estas empresas sinalizaram a sua vontade de dar prioridade ao acesso a incentivos fiscais financiados por recursos governamentais, o que prejudica os esforços para combater a desflorestação e tomar medidas relativamente à crise climática”.

(Corrige que a moratória no quarto parágrafo proíbe o cultivo de soja em terras degradadas após 2008.)

Sousa escreve para a Bloomberg.

Link da fonte