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Panamá aguarda início do julgamento por corrupção da Odebrecht, adiado 6 vezes

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Cidade do Panamá, 11 janeiro (EFE).- Deve começar esta segunda-feira o julgamento por corrupção no caso Odebrecht no Panamá, um processo que foi adiado depois de ter sido adiado seis vezes até 2023, e que tem o ex-presidente Ricardo Martinelli (2009-2014), asilado na Colômbia, como um dos principais arguidos.

“Esta é a sétima vez que esta audiência é convocada, mas a sétima é o charme, porque não há nova oportunidade de adiar. Claro, veremos algumas estratégias dos advogados de defesa para tentar adiá-la ou mais, mas não é mais possível”, disse à EFE o advogado e analista panamenho Rodrigo Noriega.

Ao contrário de outros horários, o Poder Judiciário anunciou neste domingo através das redes sociais o link onde é possível acompanhar a transmissão ao vivo do julgamento, que deverá começar às 9h locais (14h GMT) no Tribunal Superior de Processo Penal da capital panamenha.

Com a juíza Baloisa Marquínez à frente do caso, 27 réus foram chamados à magistratura, depois de outros quatro terem sido julgados pelo Supremo Tribunal após ter sido nomeado deputado do Parlamento Centro-Americano (Parlacen): o ex-presidente Juan Carlos Varela (2014-2019), o ex-ministro Jaime Ford e o filho de Martinelli, Licardoque Alberto Martinelli, e Licardoque Alberto.

Os irmãos Martinelli já foram presos pelo esquema nos Estados Unidos, onde admitiram participar no “pagamento de subornos por parte e sob a direção da Odebrecht” num total de 28 milhões de dólares, o que fizeram “a mando do pai”.

Já o ex-presidente Martinelli está refugiado na Colômbia desde maio, depois de mais de um ano na embaixada da Nicarágua no Panamá, depois de ter sido condenado a mais de 10 anos de prisão por lavagem de dinheiro pelo caso da ‘Nova Empresa’, relativo à compra de um órgão de comunicação social com fundos públicos.

Quanto ao julgamento que estava previsto para começar na segunda-feira, trata-se de um “pagamento geral no Panamá desde 2007”, disse Noriega, depois de a empresa brasileira Odebrecht ter pago mais de 80 milhões de dólares às autoridades e particulares, segundo a confissão de André Luiz Campos Rabello, que dirigiu a construtora durante muitos anos.

O advogado considera que tanto o juiz Marquínez como a promotora deste caso, Ruth Morcillo, deveriam prosseguir com esta audiência, que não pode mais ser adiada, embora “seria melhor se o Panamá recebesse mais cooperação do Brasil recentemente, mas há muitos obstáculos”.

“É claro que o advogado de defesa e o grande poder económico e político do Panamá quase destruíram este caso, mas acredito que a pressão internacional e a persistência do procurador Morcillo e a persistência do juiz Marquínez deixarão uma marca no país”, disse Noriega.

Olga de Obaldía, diretora executiva da Fundação para o Desenvolvimento da Liberdade Cidadã, Capítulo Panamiano da Transparência Internacional (TI), também disse à EFE que pelas “expectativas institucionais (…) a audiência do caso Odebrecht está finalmente começando conforme o previsto, porque o prazo legal já passou e todos os réus foram notificados, inclusive o ex-presidente”.

Da TI-Panamá, acrescentou, esperam que “a administração da justiça, seja o Ministério de Estado ou o Poder Judiciário, mantenha seu caminho dentro do sistema jurídico e o processo possa se desenvolver normalmente, garantindo a transparência e o acesso à informação aos cidadãos”.

“A importância deste julgamento, muitas vezes adiado, é para a imaginação dos cidadãos fartos da impunidade e do facto de recursos que deveriam ser de interesse público serem desviados para os bolsos dos criminosos”, sublinhou Obaldía. EFE



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