Paris, 16 janeiro (EFE).- O governo do primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu não aceitou o orçamento de 2026 por falta de maioria no parlamento e vai agora negociar um sistema que simplesmente evita a queda do seu governo através de um decreto de impeachment.
“Dedicámos todo o tempo ao debate”, mas “chegou o momento em que temos de ver a situação”, explicou na sexta-feira a ministra das Finanças, Amélie de Montchalin, para justificar esta ronda do executivo depois de várias semanas em que os seus membros insistiram que é possível conseguir uma maioria no parlamento para votar o orçamento que está em debate.
Numa entrevista ao canal France 2, De Monchalin confirmou esta confusão com as ações daqueles que descreveu como “sabotadores”, referindo-se aos dois grupos nas duas extremidades do arco parlamentar, La France Insoumise (LFI) de Jean-Luc Mélenchon e o Rally Nacional (RN) de Marine Le Pen.
Para mostrar esta atitude, disse que os dois partidos “votaram deliberadamente” durante o debate parlamentar para corrigir o objectivo de não execução do orçamento.
O que acontecerá a partir de agora é que Lecornu e o gabinete colocarão a proposta orçamentária sobre a mesa onde negociarão com os partidos não apenas para fazê-los votar, mas de forma simples quando forem aprovados por decreto não votarão para apoiar a próxima moção.
O orçamento de 2026 não pôde ser aprovado no final do ano, o que deveria ter sido feito, por falta de maioria, pelo que em meados de Dezembro o executivo escolheu uma lei especial para ter algum tipo de extensão do orçamento, mas insistiu que queria tentar novamente o debate em Janeiro.
Neste momento tens duas opções para a elaboração do orçamento, a primeira é o artigo 49.3 da Constituição, que te expõe de imediato a uma moção de crítica, e a outra é através de um decreto, que também abre a porta para grupos de oposição apresentarem uma moção de crítica.
O Governo confirmou que uma das condições mais importantes nas contas públicas este ano é que o défice seja de pelo menos 5% do produto interno bruto (PIB) para cumprir o compromisso assumido com os parceiros europeus de o reduzir para pelo menos 3% em 2029.
Em 2025, a primeira previsão aponta que o défice será de 5,4% do PIB, depois de ter disparado para 5,8% em 2024. EFE















