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Os EUA não forçarão o México a enviar petróleo para Cuba, diz o historiador Rafael Rojas

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Cidade do México, 19 de janeiro (EFE).- Os Estados Unidos não forçarão o México a enviar petróleo para Cuba, mesmo que seja o principal fornecedor de petróleo para a ilha após o colapso das entregas da Venezuela, porque não é aleatório, mas estrutural, disse segunda-feira o historiador cubano Rafael Rojas em entrevista à EFE.

“Mesmo que haja uma pressão específica do Congresso, como Carlos Giménez, de Cuba, parece-me que não faz parte da pressão básica dos Estados Unidos sobre o México. Washington pode tolerar porque não é orgânico ou estrutural, como um venezuelano, pára”, disse Rojas.

O famoso historiador cubano comentou que o México se tornou recentemente o principal fornecedor de petróleo a Cuba, algo que deverá continuar depois de Washington ter imposto restrições ao abastecimento à ilha a partir de Caracas, após a detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro.

“Pode sempre haver pressão, mas não precisa ser decisiva. Parece-me que a pressão sobre o México aumentará em outras áreas, como a imigração ou o tráfico de drogas, que é uma prioridade para os Estados Unidos”, disse Rojas, professor do Centro de Estudos Históricos do Colégio do México, em entrevista à EFE em sua casa na Cidade do México.

Embora o governo mexicano tenha confirmado que continuará a enviar petróleo, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, anunciou que, até agora, o país não foi solicitado a parar de enviar petróleo para a ilha.

Atualmente, e apesar dos repetidos pedidos de informação, a Petróleos de México (Pemex) não forneceu dados oficiais sobre os embarques para Cuba, embora Rojas coloque as entregas “em números muito baixos, menos de 17 mil barris por dia” em comparação com os quase 100 mil que foram enviados de Caracas.

O historiador disse que o México sempre teve “boas relações” desde a revolução comunista da ilha em 1959 com sucessivos governos mexicanos.

Nos últimos anos, acrescentou Rojas, os projetos de investimento mexicanos na ilha diminuíram, mas o “apoio político” foi mantido.

“Durante o anterior presidente Andrés Manuel López Obrador (2018-2024) foram introduzidos subsídios ao petróleo em troca de serviços de saúde dos cubanos (médicos) para o México. Estes subsídios são pagos pelo governo mexicano, por isso não é fácil ver como Cuba pagou este fornecimento, por isso os chamei de subsídios”, disse.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, negou na semana passada que o país tivesse aumentado os embarques de petróleo para Cuba, embora reconhecesse que se tornou um “fornecedor importante” para a ilha em meio ao declínio dos fornecimentos da Venezuela.

“Não há itens pessoais”, disse o presidente em entrevista coletiva matinal.

No dia 10 de janeiro, o petroleiro Ocean Mariner chegou à baía de Havana, carregado com 86 mil barris de petróleo do México, conforme confirmou à EFE o Instituto de Energia da Universidade do Texas, e busca aliviar a carência crônica em Cuba.

O país caribenho enfrenta uma profunda crise energética desde meados de 2024 devido à avaria de centrais eléctricas obsoletas e à falta de divisas do Reino para obter o combustível necessário para as suas centrais eléctricas.



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