Paris, 21 janeiro (EFECOM).- O fornecimento global de petróleo diminui as preocupações sobre os riscos geopolíticos para a produção e exportação de petróleo na Venezuela, no Irão e na Rússia, afirmou esta quarta-feira a Agência Internacional de Energia (AIE), prevendo um aumento na procura global em 2026.
“Embora ainda seja muito cedo para avaliar o impacto total destes últimos desenvolvimentos geopolíticos no mercado petrolífero, por enquanto o saldo elevado proporciona conforto aos participantes do mercado e mantém os preços”, afirmou a AIE no seu primeiro relatório sobre o mercado petrolífero do ano.
A agência, com sede em Paris, anunciou que ainda espera um crescimento moderado da procura de petróleo e um grande excedente de produção em 2026.
O órgão de fiscalização aumentou a sua previsão de crescimento da procura de petróleo para 2026 em 70.000 barris por dia, para 930.000, impulsionado por expectativas mais elevadas da Ásia-Pacífico e de África. Isto colocaria a procura global em 104,98 milhões de barris por dia, observou ele.
Este aumento na procura global de petróleo “reflete a normalização da economia após a crise económica do ano passado e a redução dos preços do petróleo em relação ao ano anterior”, afirmou a AIE.
Relativamente à oferta global de petróleo, a agência planeia aumentá-la em 2,5 milhões de barris por dia este ano, atingindo 108,7 milhões de barris por dia após um aumento de 3 milhões de barris por dia em 2025.
Os países não pertencentes à OPEP+ são responsáveis por 1,8 milhões de barris por dia deste aumento em 2025 e 1,3 milhões de barris por dia em 2026, afirmou a AIE no seu relatório mensal sobre o mercado petrolífero.
Explicou que a recuperação da procura de produtos petroquímicos será parcialmente compensada pela desaceleração da inflação do preço do petróleo.
E os países não pertencentes à OCDE ainda serão responsáveis por todo o crescimento em 2026.
A oferta global de petróleo caiu 350 mil barris por dia (kb/d) mensalmente, para 107,4 mil barris por dia em dezembro, 1,6 milhão de barris abaixo do pico histórico de setembro, informou a AIE.
A Agência Internacional de Energia explicou que a menor produção dos produtores do Cazaquistão e da OPEP no Médio Oriente foi parcialmente compensada por um forte regresso à produção russa.
No que diz respeito à produção global de petróleo das refinarias, a AIE informou que aumentou 2 milhões de barris por dia, atingindo 85,7 milhões de barris por dia em Dezembro, antes do período de manutenção no primeiro trimestre de 2026 nos Estados Unidos, Europa, Médio Oriente e Ásia.
A produção de petróleo está estimada em 84,6 milhões de barris por dia em 2026, com um crescimento anual de 770 mil barris por dia, ligeiramente abaixo do ritmo de 930 mil barris por dia em 2025.
As margens de refinação caíram em Dezembro devido aos lucros mais baixos na Europa, uma vez que os cracks médios dos destilados caíram para metade em relação ao pico de Novembro.
Quanto às reservas globais observadas, a AIE afirmou que aumentarão para 75,3 milhões de barris até Novembro de 2025, sendo o petróleo responsável por 96% do aumento, principalmente em terra.
Os stocks industriais da OCDE aumentaram 7,3 milhões de barris, para 2,838 milhões de barris, “em linha com a média dos últimos cinco anos”.
Os dados preliminares disponibilizados pela AIE mostraram que as reservas globais aumentaram ainda mais em Dezembro, lideradas pelas recolhas de produtos.
Por último, os preços do petróleo subiram para cerca de 6 dólares por barril por dia no início do ano devido aos desenvolvimentos geopolíticos no Irão e na Venezuela, mas diminuíram em meados do mês à medida que as tensões diminuíram.
O petróleo bruto do Mar do Norte caiu US$ 0,99 por barril diariamente em dezembro, para uma média de US$ 62,64, enquanto o mercado permanecia bem abastecido.
Esta foi a sexta queda mensal consecutiva no preço de referência, com os preços atingindo 60,07 dólares por barril, o nível mais baixo desde o início de 2021, disse a AIE. EFECOM















