A ministra da Defesa, Margarita Robles, minimizou na segunda-feira a possibilidade de o governo enviar tropas espanholas para realizar uma missão de reconhecimento na Gronelândia, como fizeram muitos países aliados, e apontou para o envio da NATO com o reforço da segurança do Árctico.
A ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de anexar a Gronelândia, alegando razões de “segurança” da China e da Rússia, levou França, Suécia, Alemanha e Noruega a enviar tropas para o território numa missão de reconhecimento como parte de um exercício militar dinamarquês. A Espanha também está a considerar enviar mais tropas.
Depois disso, Trump anunciou um acordo com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, nesta ilha ligada à Dinamarca e, embora os termos do acordo não sejam conhecidos, tudo parece indicar que o estabelecimento de cooperação com aliados pode ser tomado para reforçar a segurança desta área, como foi feito com a operação ‘Eastern Sentinel’ para reforçar a segurança da região oriental contra os drones russos.
No comparecimento perante a Comissão de Defesa do Congresso, em resposta a perguntas de ERC, Bildu, Junts e UPN, o chefe da pasta da Defesa não explicou o mistério da possibilidade de tropas espanholas na Gronelândia, mas destacou o acordo feito entre Trump e Rutte de que poderia haver “uma missão como a ‘Sentinela Oriental’ mas para proteger o Ártico”.
“Veremos como as coisas evoluem”, confirmou Robles, sublinhando que Espanha “estará onde precisa estar, numa missão de paz com um sistema jurídico”.
O ministro confirmou que a intervenção dos Estados Unidos na Gronelândia é “inaceitável” e constituirá uma “violação da ordem internacional”. Além disso, esta medida equipara Trump ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, como apontado por Robles. Neste contexto, pediu à União Europeia que participe no “importante” e prossiga com a “reconstrução moral e ética” face à nova situação internacional.
A MISSÃO PARA A UCRÂNIA
Por outro lado, Robles falou da missão de manutenção da paz na Ucrânia, considerada como uma forma de monitorizar a paz no país europeu e que, segundo o Governo, deveria ser estabelecida à sombra da NATO, da União Europeia ou das Nações Unidas. Ainda está na sua fase embrionária, quando o primeiro passo é a Rússia e a Ucrânia assinarem um acordo de paz que ponha fim à guerra.
O ministro lembrou que Sánchez ia começar a contactar os grupos parlamentares para resolver este lançamento na segunda-feira passada, mas o acidente em Adamuz (Córdoba) obrigou ao adiamento das reuniões. Assim, não quis entrar em detalhes sobre este último destacamento e centrou-se no facto de as conversações para fechar o acordo de paz “já se arrastam há muito tempo”.
“Não podemos considerar a presença do exército sem o acordo de paz porque a missão deve depender deste acordo (…) o que é muito difícil e penso que Putin está a colocar todos os obstáculos”, frisou.
Os porta-vozes da ERC e da UPN na Comissão de Segurança, Francesc-Marc Álvaro Vidal e Alberto Catalán, respetivamente, lembraram ao ministro que esta última missão em solo ucraniano necessita da aprovação das Cortes, porque é uma ação nova e, neste momento, não tem maioria. Robles não entrou em detalhes sobre os excessos.















