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Dois bispos espanhóis criticam o abuso extraordinário dos migrantes por parte do governo: “Eles estão todos errados”

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O debate sobre a fixação ilegal de imigrantes em Espanha suscitou opiniões divergentes entre as autoridades religiosas. O presidente da Conferência Episcopal Espanhola (CEE) e arcebispo de Valladolid, Luis Argüello, manifestou o seu apoio a estas novas regras, sublinhando que elas mostram “o reconhecimento da dignidade humana” e oferecem “a oportunidade de trabalhar juntos para o bem comum”. Acrescentou ainda que esta disposição dá benefícios a quem trabalhou mas não pôde pagar impostos, o que facilita o seu processo atual. Segundo a Europa Press, Argüello lamentou que as medidas impostas pelo governo não tenham sido aprovadas mais cedo, lembrando que “certamente este decreto poderia ter sido assinado há meses e a sua aprovação estava ligada ao atual “momento político”.

Por outro lado, dois bispos espanhóis expressaram a sua preocupação com a facilitação da imigração, afirmando-a como uma medida que requer uma investigação mais detalhada no Parlamento. O Arcebispo de Oviedo, Jesús Sanz, anunciou na rede social que a hospitalidade corresponde a um espírito de gratidão, mas levantou questões sobre a capacidade do país para receber todos os imigrantes. Sanz afirmou que é necessário estabelecer condições que diz serem razoáveis ​​e sugeriu que não sejam utilizadas soluções consideradas populistas ou demagógicas. “Quantos podemos aceitar? Nem todos são adequados e devemos tomar medidas sérias, não populistas ou demagógicas, para acolher o que é possível, para descartar os saltos estranhos”, escreveu Sanz segundo a reportagem Europa Press.

Da mesma forma, o bispo de Orihuela-Alicante, José Ignacio Munilla, acusou o Executivo de utilizar a facilitação dos migrantes como “negociação de dinheiro”. Através da sua conta na rede social ‘X’, Munilla questionou a inclusão do aumento das pensões e da legalização dos estrangeiros no mesmo ‘decreto omnibus’, sugerindo que estas duas ações fazem parte de uma estratégia política que visa um fim que não tem relação com os grupos diretamente afetados. O prelado condenou que esta abordagem realça o tratamento dado pelos líderes políticos aos reformados e imigrantes, afirma Europa Press.

Munilla comentou ainda a importância do debate parlamentar que considera “a nuance certa” para a decisão que considera fundamental e confirmou que existe uma consciência moral dos cidadãos sobre a dignidade dos reformados e apoio à regulamentação dos trabalhadores estrangeiros em situação ilegal. Recusou-se a equiparar a situação actual à perseguição e deportação de hispânicos nos Estados Unidos, conforme noticiado pela Europa Press, e criticou a forma como o Governo tratou o caso. “Ao resolver questões tão importantes pela porta dos fundos, as discussões parlamentares necessárias são roubadas e as alterações climáticas são evitadas.”

Por sua vez, o presidente da CEE, Luis Argüello, em comunicado divulgado pela Europa Press, afirmou que a aprovação do decreto responde à atual situação política que pode atrasar a sua tramitação. Argüello lembrou que a Iniciativa Legislativa Popular (ILP) já recebeu o apoio das organizações que promovem a iniciativa de regulamentação dos imigrantes, tanto no Parlamento como perante a Administração, e destacou que o Governo ainda não respondeu.

A declaração de aprovação, explicada detalhadamente pela Europa Press, provocou uma reação imediata nos diferentes setores da Igreja Católica espanhola, o que mostra a variação da sua posição em função da abordagem moral, social e política adotada no caso da imigração. Enquanto alguns líderes religiosos apoiam um acolhimento que priorize a dignidade e o reconhecimento legal de quem participa no país, outros alertam para a necessidade de gerir a imigração tendo em conta a possibilidade de participação comunitária e a importância de um amplo debate parlamentar que evite decisões unilaterais.

A legislação extraordinária aprovada pelo Governo manteve-se no centro do debate público, ajudando ambas as vozes que exigem uma investigação aprofundada da lei e outras que celebram o progresso rumo à lei que, segundo as palavras do presidente da CEE registadas pela Europa Press, representa um passo para uma maior justiça social e respeito pelos direitos humanos.



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