Segundo a Europa Press, António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas, sublinhou que as instituições multilaterais atravessam um período em que surgem conflitos com a imunidade, e mostrou que o sistema de resolução da ONU ainda está ultrapassado, um reflexo das relações económicas e de poder dos últimos oitenta anos. Durante o seu discurso, o líder afirmou que os valores contidos na Carta das Nações Unidas são uma base incontornável para a paz e a justiça no mundo, destacando a necessidade de fortalecer e reformar o Conselho de Segurança, que disse ser o único órgão jurídico, de acordo com a Carta, com poderes para representar todos os países em questões de paz e segurança internacionais.
Guterres enfatizou que “os problemas globais não podem ser resolvidos por uma única potência” e alertou que dividir o mundo em setores concorrentes também não funcionará. Conforme detalhado pela Europa Press, Guterres mencionou claramente os Estados Unidos como o primeiro país de crítica, e a China no contexto da segunda situação. Na sua opinião, o Direito Internacional está a ser desrespeitado e as instituições multilaterais estão sob ataque, uma visão que demonstra desrespeito pela autoridade internacional e complica a gestão pacífica das crises internacionais. Guterres destacou o problema dos membros permanentes do Conselho de Segurança não respeitarem as normas internacionais, complicando o funcionamento e a legitimidade das Nações Unidas face à crise actual.
Por outro lado, o Secretário-Geral falou em “multipolaridade interligada”. Ele deu como exemplo o acordo comercial firmado entre a União Europeia e o Mercosul, lembrando que tais ações mostram a identidade e a necessidade de maiores laços de cooperação internacional e de um mundo governado não por alianças exclusivas ou competição, mas por uma cooperação efetiva entre atores globais. A Europa Press mostrou que os líderes alertaram contra a emergência de um modelo dominado pela legitimidade, o que destaca a necessidade de fortalecer o sistema multilateral para lidar com os desafios globais.
No contexto do conflito na Faixa de Gaza, Guterres falou sobre o atual papel do Conselho de Segurança no Conselho de Manutenção da Paz estabelecido pelos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump. Segundo a Europa Press, Guterres insistiu que este órgão, embora tenha poderes do Conselho, não menciona Gaza na sua carta e, além disso, foi proposto pelos seus principais promotores como um possível substituto das Nações Unidas. O Secretário-Geral confirmou que apenas o Conselho de Segurança tem autoridade, reconhecida pela Carta das Nações Unidas, para tomar decisões que vinculam todos os Estados-Membros, e nenhuma outra organização ou coligação pode reivindicar esta autoridade.
No que diz respeito à situação humanitária e de segurança em Gaza, Guterres sublinhou a importância de avançar para uma nova fase do plano de paz e da implementação de um verdadeiro cessar-fogo. “O país com maior poder para pressionar Israel são os Estados Unidos”, disse ele, observando o papel de Washington como um ator-chave que pode influenciar o curso do conflito. A Europa Press recebeu a denúncia de Guterres sobre a continuação do ataque israelita em Gaza, que matou mais de 490 palestinianos segundo os números fornecidos pelas autoridades de Gaza, apesar de o cessar-fogo dever entrar em vigor a partir de 10 de outubro de 2025. Direito internacional.
No seu discurso, Guterres reconheceu o colapso do sistema multilateral de resolução de conflitos, mas sublinhou que não se trata de abandonar o princípio do seu estabelecimento, mas sim de adaptá-los e reanimá-los para responder à situação actual. Os valores da Carta das Nações Unidas, disse ele, não constituem uma aspiração ou um ideal distante, mas são condições essenciais para qualquer projeto de paz e justiça a longo prazo no mundo. A Europa Press informou que o Secretário-Geral enfatizou que a reforma do Conselho de Segurança deve ter como objetivo salvar a legitimidade e o funcionamento das Nações Unidas, permitindo que este grupo trabalhe de forma eficaz e representativa face às ameaças à segurança internacional.
O apelo de Guterres à multipolaridade está ligado à convicção de que nenhum país pode estabelecer uma solução duradoura para os problemas internacionais e que não é certo que duas potências dividam o planeta em grupos opostos. Propôs substituir a lógica do conflito pela cooperação estruturada, destacando que o antigo modelo não é suficiente para responder aos desafios e riscos de hoje. A Europa Press também informou que Guterres vinculou a destruição do Direito Internacional e do multilateralismo ao crescimento da instabilidade e à propagação de crises, estabelecendo a necessidade de restaurar o Estado de direito na lógica do poder.
O líder português insistiu que o progresso na resolução de conflitos, o respeito pelas normas internacionais e o estabelecimento de sistemas eficazes de governação global exigem uma reforma institucional e uma forte adesão aos valores que levaram ao nascimento das Nações Unidas após a Segunda Guerra Mundial. Só assim, concluiu Guterres, segundo a Europa Press, os países serão capazes de enfrentar ameaças comuns num mundo interligado e complexo e de preservar a paz e a estabilidade por muito tempo.















