Barcelona,(EFE).- O Tribunal de Inquérito nº 1 de Barcelona que investiga o ‘caso Negreira’ rejeitou o pedido do Real Madrid para acessar os relatórios de controle e financeiros da empresa Barça entre 2010 e 2021, segundo documento obtido pela EFE.
O clube madrilenho solicitou acesso a todos estes documentos, uma vez que apareceu como acusação independente no caso que investiga o alegado crime de corrupção desportiva pelo pagamento de milhões de dólares, entre 2001 e 2018, do Barcelona a José María Enríquez Negreira, então vice-presidente do Comité de Tecnologia de Árbitros (CTA).
Desta forma, a juíza Alejandra Gil Lima concorda com um dos entrevistados, o ex-presidente do departamento Josep María Bartomeu, que se opôs ao tribunal em fornecer ao clube branco a informação solicitada por ser “juridicamente insuficiente”.
Entre outros procedimentos, o Real Madrid solicitou o relatório sobre a ‘diligência’ e o controlo económico realizado na gestão económica do Barcelona entre os anos de 2010 e 2021.
No despacho, o juiz referiu que o relatório financeiro solicitado é “desnecessário” quando “há indícios de que foram efetuados pagamentos a essas pessoas singulares e coletivas (faturas, até os pagadores da FCB as aceitam – o que não aceitam é feito com a intenção de receberem bom tratamento nas competições desportivas)”.
Além disso, o documento económico “conterá informação irrelevante para efeitos deste guia, uma vez que não é especificamente solicitado para pagamentos efetuados a empresas ou pessoas associadas ao Sr. Negreira, mas destina-se a fornecer um relatório que indicará toda a gestão económica do FC Barcelona entre 2010 e 2021, o que não está relacionado com este guia”.
Pelo mesmo motivo, o despacho indica que não há razão para solicitar ao clube os relatórios de auditoria interna e externa feitos às suas demonstrações financeiras entre 2010 e 2018 ou o orçamento que incluía a previsão de pagamentos à empresa de Enríquez Negreira.
O Real Madrid também exigiu que o Barcelona fornecesse os documentos da investigação interna do ‘caso Negreira’, algo que foi rejeitado pelo tribunal de instrução número um, que sustenta que “a investigação judicial não pode basear-se numa investigação interna que o clube possa ter realizado para maior gestão, monitorização e controlo dos seus pagamentos ou serviços contratuais”.
“Mas, além disso, aceitar o pedido e exigir que os investigadores forneçam os documentos internos de investigação sobre os factos deste procedimento seria um ataque ao direito de não ser processado”, acrescentou.
O juiz Gil Lima também rejeitou o pedido do clube do Barça para participar neste caso dos detalhes da comissão de gestão tributária para que possa analisar, do ponto de vista financeiro, o pagamento a Enríquez Negreira.
“A análise dos pagamentos que nos preocupa neste momento nada tem a ver com o objetivo desta diretiva”, frisou.
O juiz acatou o depoimento de Carlos Naval, representante da equipe titular do Barcelona, que é preciso apurar onde estavam, o que foi feito e para onde iam, o uso ou aplicação dada ao relatório, bem como a forma como foi aprovado o pagamento da fatura. EFE















