A morte de um bombeiro e agente da GNR em Campo Maior, região do Alentejo, marcou o fim do fim de semana eleitoral em Portugal, onde os temporais perduraram durante todo o dia de domingo. Neste contexto, a segunda volta das eleições presidenciais em Portugal continental e na Madeira terminou às 19:00, segundo a agência Europa Press, enquanto nos Açores as escolas ficaram mais uma hora devido à diferença horária. A competição vai determinar quem ocupará a chefia do Estado entre António José Seguro e André Ventura.
Segundo a Europa Press, o dia das eleições decorreu sob a influência de uma forte tempestade que afetou vários pontos do país, situação que levou ao pedido de adiamento do processo. No entanto, as autoridades mantiveram o calendário previsto e mais de onze milhões de portugueses foram votar na segunda volta, depois da primeira, realizada em 18 de janeiro, dando a Seguro 31,11% dos votos e a Ventura 23,52%.
Autoridades relataram que a participação durou até as 16h. foi de 45,5%, ligeiramente inferior aos 45,51% registados na primeira volta, conforme explica o Ministério da Administração Interna e noticiado pela Europa Press. No final das mesas de voto no território continental, a primeira estimativa da RTP/Católica apontava para um non-stop entre 42 e 48 por cento. O porta-voz do Conselho Nacional Eleitoral, André Wemans, disse em comunicado televisivo que espera que os dados sejam um bom sinal de participação e que a participação seja superior à das eleições anteriores.
António José Seguro, considerado o favorito na prova, votou às 10h30, numa escola das Caldas da Rainha, zona oeste do país, onde o tempo foi atípico por ser um dia de sol, em contraste com o tempo tempestuoso da semana anterior. O candidato socialista apelou aos cidadãos para que aproveitem a janela de bom tempo para exercerem o seu direito de voto. “Vote, vote, vote, vote, porque esta é a melhor homenagem que se pode prestar à democracia. Aproveite esta janela de bom tempo”, disse Seguro citado pela Europa Press, manifestando a sua solidariedade às comunidades afectadas pelas fortes chuvas e transmitindo as suas condolências às famílias das vítimas.
André Ventura, líder do partido Chega, voltou a exercer o seu direito de voto nesse dia e confirmou a posição de que a segunda volta deveria ser adiada devido às circunstâncias extraordinárias provocadas pelas condições meteorológicas. “Talvez haja muitas zonas e regiões do país que sentem que não são respeitadas e que alguns cidadãos portugueses são cidadãos de segunda classe. Não creio que isso seja verdade, mas a partir do momento em que as autoridades públicas decidam que assim será, devemos seguir essas decisões”, disse Ventura, citado pela Europa Press. Este candidato confirmou que considera este dia como um dia para a democracia e declarou que desempenhou as suas funções com serenidade, e espera o regresso da participação nas eleições em todo o país.
O presidente em exercício, Marcelo Rebelo de Sousa, também participou no dia das eleições e alertou para as dificuldades do seu sucessor. No seu discurso, noticiado pela Europa Press, sublinhou a importância de ir às urnas em tempos difíceis. “Estamos a viver momentos difíceis em algumas partes do país, de catástrofes, e nestes tempos mais do que noutros os portugueses não falam e sabem que o voto é mais importante quando há mais problemas, quando há problemas mais urgentes, como é o caso”, disse Rebelo de Sousa.
No dia das eleições também participaram líderes de vários partidos, incluindo o secretário-geral do Partido Comunista de Portugal, Paulo Raimundo. Antes de votar, Raimundo lamentou a situação provocada pelo mau tempo e pediu para se envolver ativamente na ajuda às zonas menos afetadas. “Lamentamos as más condições causadas pelo mau tempo em muitas áreas”, disse Raimundo, conforme noticiado pela Europa Press.
A participação na primeira hora de votação diminuiu ligeiramente face à ronda anterior, segundo dados do Ministério das Finanças Internas. Apesar da diminuição da actividade e do impacto das más condições meteorológicas, diferentes líderes políticos sublinharam ao longo do dia a importância do voto como compromisso democrático, especialmente no contexto da emergência do país.
Conforme noticiado pela Europa Press, o aparelho eleitoral considerou a possibilidade de prolongar o horário nas ilhas dos Açores devido à diferença horária do continente e da Madeira, onde as escolas fecharam uma hora mais cedo. De uma forma geral, a organização do processo teve de enfrentar a pressão causada pela tempestade, cujos efeitos continuaram no centro e sul do país.
Após o encerramento das escolas, a previsão da não votação feita pela RTP/Católica mostrou o impacto das condições meteorológicas na mobilização dos cidadãos. Ao mesmo tempo, especialistas e porta-vozes das instituições aguardavam os resultados finais para analisar o real impacto do furacão no desenvolvimento da jornada democrática e na legitimidade da participação registada.















