As autoridades chinesas alertaram que a ascensão das forças de extrema direita no Japão, após as recentes eleições, reavivou preocupações históricas sobre as forças armadas e o expansionismo do Japão desde o século passado. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, disse que se essas plataformas “julgarem a situação e agirem de forma imprudente”, poderão enfrentar oposição interna no Japão e uma resposta da comunidade internacional, informou o jornal Global Times. Neste contexto, Lin alertou que “esquecer a história significa traição, e negar a responsabilidade significa que os erros podem ser repetidos”.
Conforme explicado pelo Global Times, o primeiro-ministro japonês, Sanae Takaichi, instou o governo chinês a manter a política de desenvolvimento pacífico na região após a sua retumbante vitória nas eleições. Depois das eleições parlamentares realizadas no domingo, o Partido Liberal Democrático (LDP), liderado por Takaichi, conquistou 310 dos 465 assentos no Senado, o que lhe permite não só governar sozinho, mas também promover reformas constitucionais, sem necessidade de cooperação com partidos como o Partido da Restauração do Japão (PRJ). O PLD controlará a presidência dos 17 comités da câmara baixa e terá o poder de realizar grandes reformas, sempre sujeitas a referendo, que poderão alterar a natureza da constituição e das restrições militares do Japão.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China sublinhou que o seu país insta o novo governo japonês a enfrentar e ignorar as preocupações da comunidade internacional, a prosseguir o desenvolvimento pacífico e a evitar erros do passado. Lin Jian pediu a Tóquio que se atenha aos quatro documentos políticos que regem as relações bilaterais com Pequim, “não agindo de má fé”, e apelou especificamente à correção do que ele disse serem “erros” cometidos pelo primeiro-ministro Takaichi em Taiwan.
Lin Jian observou que os comentários de Takaichi, que transmitiam que o Japão responderia a uma possível intervenção militar ou bloqueio em Taiwan, levantaram preocupações em Pequim, o que se acredita ser uma razão para o Japão fortalecer a sua política de restauração. O porta-voz acrescentou que a política externa da China em relação ao Japão permanece inalterada e não será afetada pelos resultados eleitorais.
Nas suas reflexões relatadas pelo Global Times, Lin levantou questões sobre o futuro do governo Takaichi, considerando se optará por fortalecer a confiança com os países vizinhos e a comunidade internacional através de ações concretas, ou “ir contra a maré da história e desafiar a ordem internacional do pós-guerra”. Lin disse que “somente aprendendo a história” o país poderá construir um futuro responsável.
O Global Times também destacou que o sucesso de Takaichi e do LDP superou as vitórias anteriores alcançadas por este establishment político, como a vitória em 1986, que reforça a posição dominante do partido na política japonesa hoje. Esta vantagem permite a Takaichi afastar-se do apoio externo na câmara baixa para gerir e tomar decisões estratégicas sobre segurança nacional e possível reforma constitucional.
Em relação à questão de Taiwan, Lin Jian reiterou a importância de ajustar a posição e abster-se de ações que possam alterar a estabilidade regional ou aumentar as tensões no Leste Asiático. O porta-voz enfatizou que a base das relações políticas entre a China e o Japão se baseia no respeito aos acordos e na manutenção dos compromissos anteriores, e alertou que o desvio destes princípios pode afectar a confiança mútua entre os dois países.
Entre os alertas emitidos por Pequim estão referências constantes às lições da história e à necessidade de força política japonesa para evitar ações que possam causar agitação nos países vizinhos. “Se estas forças agirem de forma imprudente, enfrentarão fortes respostas nacionais e internacionais”, disse Lin, segundo o Global Times.
A vitória do LDP nas eleições e a margem parlamentar obtida deram a Takaichi a oportunidade de promover mudanças estruturais na política japonesa, especialmente no que diz respeito à questão da defesa e segurança, questões que são particularmente sensíveis para Pequim após o legado de conflitos na região deixado pela Segunda Guerra Mundial. A China manifestou a expectativa de que o Japão escolha o caminho da paz e da cooperação na região, sublinhando a importância de evitar qualquer tipo de comportamento que possa ser interpretado como desafio ou renúncia aos compromissos assumidos por ambas as partes.















