Simon Berhane
Adis Abeba, 13 de fevereiro (EFE).- Chefes de Estado e de Governo de quarenta países participarão este fim de semana na 39ª cimeira da União Africana (UA) em Adis Abeba para abordar questões candentes como a paz e a segurança, a integração económica ou a crise climática, à sombra de muitos conflitos que abalam o continente.
Além disso, estarão também presentes o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres – que participa na sua última reunião da UA antes do final do seu mandato – e a Primeira-Ministra italiana, Georgia Meloni, que serão convidados de honra na plenária de abertura.
Antes do evento de sexta-feira, que acontecerá no sábado e no domingo, será realizada pela primeira vez neste continente a segunda edição da cimeira Itália-África, convocada por Meloni.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Etiópia, cerca de 20 mil pessoas – entre representantes e jornalistas – estão inscritas num evento que irá testar a relevância das organizações africanas no contexto de diferentes desafios.
“A Etiópia está mais preparada do que nunca para receber delegações (…). Com infra-estruturas recentemente melhoradas, que incluem instalações modernas e de primeira classe”, disse o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, nas redes sociais.
Com estas infraestruturas, que incluem novos edifícios e estradas, o país prepara-se para acolher outros eventos internacionais importantes, como a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas COP32, marcada para 2027.
Confrontada com o aumento de condições climáticas extremas, como secas, fortes chuvas e inundações, a UA decidiu colocar a água no centro da conferência, com o lema “Garantir a disponibilidade sustentável de água e sistemas de saneamento seguros para alcançar os objectivos da Agenda 2063”.
“Sem sistemas de água seguros e resistentes ao clima, o progresso na saúde, na educação, na segurança alimentar e no crescimento económico não pode ser sustentado”, disse à EFE Alebachew Adem, diretor da ONG WaterAid, Etiópia.
“Em todo o continente, as comunidades enfrentam pressões crescentes decorrentes das alterações climáticas, da rápida urbanização e do crescimento populacional”, acrescentou.
Segundo Alebachew, “isto torna a água não apenas uma necessidade humana básica, mas também um recurso estratégico que apoia a estabilidade, a igualdade e a prosperidade”.
África é o segundo continente mais seco (depois da Austrália) e, de acordo com o relatório das Nações Unidas de 2022, mais de 400 milhões de pessoas no continente não têm acesso a serviços de água potável segura.
“Diante das alterações climáticas observadas, o uso prudente da água em todos os aspectos da vida quotidiana é essencial”, afirmou o presidente da Comissão da UA (secretariado), Djibuti Mahmoud Ali Youssouf.
Embora a água seja o tema oficial da cimeira, esta decorreu num contexto marcado por instabilidade política e económica, crise de segurança, mudanças inconstitucionais, ameaças terroristas no Sahel e noutras regiões e conflitos, como na República Democrática do Congo (RDC), no Sudão, no Sudão do Sul ou na Somália.
É difícil para a UA responder de forma enérgica e eficaz a estes desafios, limitada pela necessidade de consenso entre os seus membros e pelas dificuldades económicas de longo prazo.
Assim, pelo menos 64% do seu orçamento de quase 700 milhões de dólares provém de parceiros internacionais, incluindo a União Europeia (UE) como um dos principais doadores, segundo o Grupo Internacional de Crise (ICG).
“As limitações financeiras e as interferências externas impedem a conquista de uma África pacífica”, disse à EFE Darskedar Taye, analista do Instituto Etíope de Relações Exteriores.
A cimeira realizou-se numa situação geopolítica distinta, após a redução da ajuda internacional por parte dos Estados Unidos e de outros países e após a reunião dos líderes do G20 (grupo de países desenvolvidos e emergentes) realizada na África do Sul em Novembro passado, a primeira no continente, pelo boicote de Washington.
Durante a cimeira, o presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, assumirá a rotação da UA do seu homólogo angolano, João Lourenço, por um período de um ano. EFE














