Munique (Alemanha) – Xangai (China), 15 de fevereiro (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, comemorou na presença da sua homóloga canadense, Anita Anand, que o país norte-americano tomou uma “boa decisão” ao apostar em uma “nova política” em relação a Pequim, apesar das críticas e ameaças que trouxe dos Estados Unidos.
Wang reuniu-se com Anand no sábado à margem da Conferência de Segurança de Munique, de acordo com um comunicado divulgado hoje pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, observando que os dois líderes discutiram os “resultados frutíferos” da recente visita do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, ao gigante asiático.
O resultado da viagem foi um consenso para “construir um novo tipo de cooperação estratégica” entre a China e o Canadá, em resposta à vontade de Pequim de “reativar os intercâmbios e a cooperação em vários campos” e “eliminar a interferência” nas relações, segundo os Estados Unidos.
Segundo os chineses, como nem Ottawa nem Anand comentaram o encontro, o ministro concordou que a viagem de Carney foi “muito bem sucedida” e abriu uma “nova era” em relação a Pequim.
Depois de conversações com o presidente chinês Xi Jinping, Carney anunciou um acordo para permitir a entrada de 49 mil veículos eléctricos chineses por ano com uma tarifa de 6,1% em vez dos anteriores 100%, e a redução do imposto de Pequim sobre as importações canadianas para 15%, face aos 84% que eram aplicados, bem como a eliminação de impostos sobre drakes e impostos.
Da mesma forma, Ottawa comprometeu-se a realizar “ajustes positivos às medidas unilaterais” que também tem tomado em relação aos produtos de aço e alumínio ou, em alguns casos, relacionadas com o investimento chinês e a operação de empresas de países asiáticos no Canadá, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
Uma semana depois, a China anulou a sentença de morte de 2019 contra um cidadão canadiano condenado por tráfico de droga.
A relação do Canadá com a China não foi bem recebida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaçou novas tarifas sobre o segundo maior parceiro comercial do país e prometeu que, se assinar um acordo de comércio livre com Pequim – uma declaração que Ottawa negou – “a China comerá o Canadá, comerá-o inteiro”.
A visita de Carney à China surge depois de anos de tensões relacionadas com disputas comerciais e de segurança, e num momento em que Otava procura melhorar os seus laços económicos num mundo marcado por tensões comerciais.
As relações entre a China e o Canadá começaram a deteriorar-se em 2018, quando Ottawa prendeu a executiva da Huawei, Meng Wanzhou, a pedido dos Estados Unidos, ao que Pequim respondeu prendendo os canadianos Michael Kovrig e Michael Spavor e impondo sanções comerciais.
A situação melhorou em 2021 com a libertação de Meng, Kovrig e Spavor, mas em 2023 piorou novamente quando a inteligência canadiana relatou a interferência de Pequim nas eleições gerais e expulsou diplomatas chineses. EFE















