A chegada de Mohamed bin Abdulrahman al Thani a Caracas acontece depois de o Qatar ter participado na gestão da conta bancária que recebeu o produto da primeira venda de petróleo venezuelano aos Estados Unidos, no valor de 500 milhões de dólares (cerca de 430 milhões de euros), conforme explicou o portal Semafor e confirmou na semana passada o secretário da Energia norte-americano, Chris Wright. A visita do chefe do Governo do Qatar representa um acontecimento relacionado com o mundo das relações internacionais, devido à posição de Doha como mediadora em diversas disputas e acordos em que estão envolvidos a Venezuela, os Estados Unidos e os seus aliados regionais.
Conforme noticiado pela Europa Press, o Primeiro Ministro e Ministro das Relações Exteriores do Catar desembarcou no Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, Estado de La Guaira, onde foi oficialmente recebido pelo Ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil. Através do seu canal no Telegram, Gil destacou que o objetivo principal da visita é estreitar e fortalecer o relacionamento entre os dois países. O responsável venezuelano sublinhou a importância de manter um diálogo activo com um país que desempenhou um papel fundamental como mediador na última diplomacia internacional entre a Venezuela e os Estados Unidos.
Conforme relatado pela Europa Press, nem o primeiro-ministro do Catar nem a sua delegação divulgaram publicamente detalhes sobre o conteúdo ou o propósito exato da sua viagem. No entanto, o contexto da visita explica a sua importância estratégica, marcada pela dinâmica de aproximação entre Caracas e os principais atores da política internacional, incluindo o governo dos EUA. O Qatar, para além do seu interesse no diálogo regional, mantém fortes relações com Washington, o que lhe permitiu posicionar-se como facilitador em negociações difíceis.
A Europa Press noticiou que Doha teve um papel especial na mediação que permitiu ao Presidente venezuelano Nicolás Maduro receber a primeira prova da sua vida, após a operação militar norte-americana realizada em 3 de janeiro em Caracas e arredores. Naquela altura, a intervenção internacional resultou na morte de uma centena de pessoas e a administração do Qatar foi essencial para fazer face ao progresso social e diplomático.
A cooperação económica entre a Venezuela e o Qatar não se limita ao sector energético, embora a transferência de recursos petrolíferos represente a importância do sector financeiro para o desenvolvimento desta relação. O facto de a principal conta bancária que recebe o dinheiro do petróleo venezuelano estar no Qatar mostra a confiança depositada no sistema financeiro e diplomático do país do Golfo, segundo informações fornecidas pela Semafor e confirmadas pelo secretário de Energia dos EUA. Esta situação reforça a ideia de que a cooperação entre os dois países responde a uma estratégia multidimensional que inclui política, economia e diplomacia.
Os meios de comunicação Europa Press sublinharam que a chegada do chefe do Governo do Qatar representa um novo esforço de Caracas para reforçar a sua cooperação e estabelecer um canal de entendimento que ajude a superar o isolamento internacional ou as dificuldades causadas pelas sanções e restrições das potências ocidentais. A visita também é interpretada como um movimento para ampliar as margens de negociação de Caracas com os Estados Unidos e seus aliados, devido ao papel mediador que o Catar assumiu durante as negociações recentes.
Ao explicar a importância da mediação internacional, a Europa Press lembra que a utilização destes links responde às necessidades económicas e às exigências legais do governo venezuelano. A opção de estabelecer relações fortes com Doha parece ter como objectivo fortalecer a câmara executiva de Nicolás Maduro em caso de pressão diplomática ou económica.
A declaração oficial visa mostrar a vontade política de fortalecer os laços existentes. O Ministro das Relações Exteriores, Yván Gil, destacou a importância da visita e confirmou a disposição do governo venezuelano em desenvolver a cooperação entre as duas partes, enquanto as atividades e declarações públicas do visitante catariano são reservadas, segundo reportagem da Europa Press.
Neste contexto, o analista destacou que a assistência mútua entre a Venezuela e o Qatar poderá ter efeitos de longo alcance, tanto para a política externa venezuelana como para a sua inclusão no comércio internacional de petróleo. Além disso, a coordenação diplomática entre Doha e Caracas, no contexto do diálogo em que participam os Estados Unidos e outros parceiros da região, insere-se na tendência de reforma estratégica e na procura de interlocutores fiáveis a nível global, segundo o relatório da Europa Press.















