Dois dias depois de o Conselho de Estado ter confirmado o cancelamento da nomeação de Cielo Rusinque como Diretor de Indústria e Comércio, o responsável cessante veio do departamento de La Guajira para questionar a decisão.
Através da sua conta X, Rusinque qualificou o veredicto como injusto, além de declará-lo um ato de violência institucional que iria contra as garantias oferecidas pela constituição..
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Na sua mensagem, referiu ainda a decisão da Procuradoria-Geral da República de punir os funcionários que ingressaram no Registo Nacional e na Chancelaria na investigação do contrato de fabricação de passaportes.
“Esta semana, através de duas decisões publicamente injustas e de uma forma de violência institucional difícil de conciliar com as garantias constitucionais, tentou-se enfraquecer a estratégia anticorrupção posta em prática pelo Diretor da Indústria e Comércio. (sic)”, disse Rusinque.

Este responsável garantiu ainda que permanecerá ao lado do projecto político do presidente Gustavo Petro mesmo que este deixe de ser do Executivo por decisão do tribunal superior.
“Acreditamos no poder da razão – e, se quiserem, na verdadeira vocação da lei – e não desistiremos dos nossos esforços para participar, sempre ou de qualquer lugar, na construção de um sistema onde o Estado esteja direcionado para a realização da humanidade, de acordo com o horizonte da constituição transformadora que inspira a nossa associação política. (sic)”, observou.
Da mesma forma, Rusinque garantiu que a recente decisão que o deixou no SIC, entre outros, após o apoio do Presidente Gustavo Petro, não o impedirá de desaparecer na arena política.
“Pessoalmente, não desisto muitas vezes diante das dificuldades, mas a minha vontade nunca para e mesmo agora sinto que a minha força está a ficar mais forte. É como se cada vez que a minha vontade de trabalhar por este país que amo é atacada, ela fica mais forte”, continuou.

Ao mesmo tempo, o gestor cessante também apareceu em uma foto do departamento de La Guajira, segundo ele, avançando no curso oferecido pelo Exército Nacional.
“Estive em La Guajira, na Escola de Defesa Nacional da Escola Superior de Guerra do Exército, estudando geopolítica, guerra cibernética, inteligência estratégica, oceanopolítica e direito internacional dos conflitos armados, o que estou fazendo este ano. Digo apenas para repetir o importante: continuamos de pé, com calma determinação e com mais alegria e bom ânimo do que nunca!“, concluiu o responsável.
No dia 19 de março, o Conselho de Estado cancelou a nomeação de Cielo Rusinque como gestor de Indústria e Comércio, decisão que afeta a estrutura de liderança da empresa.
A resolução anula o decreto 0.098, de 2 de fevereiro de 2024, assinado pelo presidente Gustavo Petro, após ação judicial que questionava o processo seletivo e o cumprimento dos requisitos técnicos do cargo.

A demissão de Rusinque ocorreu enquanto continuava a polémica sobre a acção da Agência da Indústria e Comércio (SIC) contra o registo, acção que levou à punição de 16 funcionários pela Procuradoria-Geral da República..
De acordo com a decisão do sistema de monitoramento, esses funcionários teriam excedido sua responsabilidade ao monitorar os materiais institucionais e privados do registro, durante o processo de prorrogação do contrato para publicação da ficha informativa.
A ação que levou à revisão da nomeação afirmou que a decisão foi publicada em 25 de janeiro de 2024 no site oficial da empresa, sem que primeiro produzisse efeito a rescisão oficial do cargo de María Paula Belén Arenas. Além disso, questionou também a falta de consideração das opiniões dos cidadãos durante esse período.
Os demandantes questionaram também o cumprimento das recomendações do Conselho de Política e Governação da OCDE, que afirma que os órgãos de supervisão e controlo devem funcionar sem influência política direta, condição que consideram ter sido violada com a nomeação de Rusinque.. Argumentaram que a sua relação com o presidente e a sua filiação política faziam do SIC a “polícia presidencial”.
O Conselho de Estado rejeitou o argumento sobre a alegada politização do cargo e a primeira publicação do currículo oficial. A decisão dizia: “Os fundamentos de revogação por abuso de poder administrativo exigem a demonstração de que o motivo para a sua emissão não está relacionado com o propósito do Estado e o interesse público e excede a autoridade da autoridade nomeadora para fazer a nomeação apropriada”.
No entanto, o tribunal superior encontrou motivos para cancelar a nomeação devido ao não cumprimento de requisitos técnicos. A decisão estabelece que o cargo exige formação em área relacionada ao trabalho da empresa e que a titulação oferecida por Rusinque – licenciatura em Direito Constitucional pela Universidade Panthéon–Assas (Paris II) – não está diretamente homologada como mestrado, especialização, doutorado ou pós-doutorado reconhecido na Colômbia..
A Câmara dos Deputados também notou a inconsistência com a reconhecida experiência profissional do anterior funcionário. A certificação proposta não explicava o trabalho realizado, mas a posição geral, como professor pesquisador de Direito Público, não explicava o trabalho específico realizado na área de pesquisa.















