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A mudança de horário é do próximo sábado de manhã para domingo das 02h00 às 03h00

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A última declaração de Bruxelas sobre a mudança de horário refletiu a posição do comissário dos Transportes, Apostolos Tzitzikostas, que apoiou a eliminação do ajuste semestral dos relógios na União Europeia, considerando que provoca “dificuldades desnecessárias” à sociedade e à economia do grupo. No entanto, desde então, conforme detalhado pela Europa Press, nenhum progresso jurídico foi feito para alterar as regras que regem o atual sistema de agendamento nos Estados-membros. Enquanto a Europa pondera a sua última decisão, Espanha prepara-se para adiantar os seus relógios da manhã do próximo sábado para domingo, às 2h00, que começará a marcar às 3h00, iniciando assim o horário de verão.

Segundo a Europa Press, a medida renovou o debate entre aqueles que defendem a mudança de horário devido aos benefícios associados à adaptação às estações e ao aproveitamento da animação noturna, e aqueles que sustentam que esta prática dificilmente proporciona poupança de energia e pode ter um impacto negativo na saúde. O horário de verão permanecerá em vigor até 25 de outubro, enquanto continuam as expectativas sobre uma possível decisão europeia sobre o futuro destes ajustes sazonais.

Os físicos José María Martín Olalla, da Universidade de Sevilha, e Jorge Mira Pérez, da Universidade de Santiago de Compostela, estão entre os que defendem a continuidade da mudança do tempo. Ambos acreditam que esta prática ajuda a ajustar mentalmente a atividade humana ao ciclo sazonal de luz e escuridão. Martín Olalla explicou à Europa Press que, embora seja incómodo para algumas pessoas, a mudança do relógio no verão permite que o trabalho comece mais cedo, o que deixa tardes mais longas para o lazer. Ele disse que a mudança de horário funciona como um sistema justo para controlar a diferença de luz solar entre o inverno e o verão.

O físico sevilhano enfatizou o valor da flexibilidade na política europeia nesta matéria, dizendo que, embora os países nórdicos possam não beneficiar de tais mudanças, em latitudes como Espanha elas podem ser úteis. Salientou ainda que as estações e a sua importância continuarão independentemente das regras da sociedade adoptadas, o que nos obrigará a continuar a adaptar as nossas práticas a estes ciclos.

Jorge Mira Pérez, por sua vez, explicou à Europa Press que a revisão do sistema horário é realizada a cada cinco anos, ampliando constantemente a precisão das mudanças. Defendeu a necessidade de direito consuetudinário na União Europeia e alertou para os perigos da dispersão do sistema de tempo entre os Estados-membros, o que poderia levar à “decadência do tempo”. Lembrou que a variação na duração do dia e da noite responde a causas naturais e que durante o verão, em Espanha, a atividade biológica tende a avançar até três horas em relação ao inverno.

Para Mira Pérez, embora a mudança horária dos anos 70 tenha sido restaurada com a promessa de poupança de energia, é muito difícil calcular a poupança real. Ele argumentou que, embora a radiação solar seja ajustada para períodos de maior atividade humana, estimativas precisas de economia de energia decorrentes desta prática não são avaliadas há décadas.

No domínio das energias renováveis, Martín Perea, diretor do Mestrado em Energias Renováveis ​​da Universidade Europeia, disse à Europa Press que o ajuste da hora ajuda a facilitar o nascer do sol e a adaptar a distribuição das horas do dia à atual ordem social e económica. Na sua opinião, o modelo atual privilegia o entretenimento noturno e qualquer mudança poderá ter um impacto significativo no setor do entretenimento, uma área particularmente importante da economia espanhola. Perea notou ainda que a União Europeia solicitou, em 2018, a harmonização de medidas aos seus estados-membros, embora o Executivo espanhol tenha criticado a ausência de propostas concretas neste sentido.

O meio de comunicação Europa Press lembrou que em 2018 o Governo espanhol criou uma comissão de peritos para examinar a facilidade e o impacto da mudança horária, o que não permitiu tomar a decisão final. No mesmo fórum, foi discutida a possibilidade de alinhar o fuso horário utilizado pela Espanha, semelhante ao da Alemanha desde a época de Franco. Nenhuma mudança foi bem-sucedida neste aspecto, segundo a Europa Press.

Diante do local certo para manter as mudanças de horário, a Associação para a Racionalização dos Horários Espanhóis (ARHOE) continua a defender o inverno como o mais adequado, especialmente do ponto de vista médico. O presidente da associação, César Martín, disse à Europa Press que a empresa valorizou a decisão do governo de continuar o debate sobre a abolição da mudança de horário. Insiste que Espanha mantenha as férias de inverno e exige que o Conselho Europeu assuma o assunto porque não cabe aos Estados-membros decidirem por si próprios sobre estas mudanças.

A Europa Press nota que, no ano passado, o governo espanhol trouxe à tona o debate sobre o ajuste da hora numa reunião do Ministro dos Transportes, Telecomunicações e Energia. A proposta defendia a abolição da mudança horária por três razões: o apoio da maioria da população, tanto em Espanha como a nível europeu; falta de provas científicas que apoiem poupanças de energia significativas; e os efeitos adversos desta alteração na saúde e no bem-estar de milhões de pessoas.

A Comissão Europeia já tentou acabar com a mudança de horário duas vezes por ano em 2019, durante a administração de Jean-Claude Juncker, aconselhando cada país a escolher, através de uma consulta interna, se mantém ou aboli esta prática. No entanto, o plano foi suspenso devido a divergências governamentais, informou a Europa Press. Neste momento, os países europeus continuam a aguardar orientações específicas, enquanto os técnicos e os setores sociais e económicos mantêm a divisão sobre a continuação ou cancelamento da agenda atual.

A próxima mudança horária, que substituirá temporariamente a hora normal de verão, volta a ser apresentada como ponto de encontro e desacordo entre os defensores da adaptação ao ciclo anual e aqueles que consideram prioritária a eliminação de práticas que, dizem, afetam a saúde, a eficiência energética e a organização social.



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