Nairobi, 24 de março (EFE).- Pelo menos 33 mil refugiados congoleses que fugiram da guerra no leste da República Democrática do Congo (RDC) para o Burundi no mês passado regressaram após a reabertura da fronteira entre os dois países em 23 de fevereiro, informou terça-feira o ACNUR.
“Mais de 33 mil refugiados congoleses regressaram espontaneamente do Burundi para o leste da RDC. O ACNUR apelou a apoio internacional urgente para garantir que estes regressos ocorram em condições de segurança, dignidade e sustentabilidade”, afirmou a agência da ONU num comunicado.
Os repatriados fugiram para o Burundi em Dezembro passado, quando confrontos entre o exército congolês e os rebeldes do grupo Movimento 23 de Março (M23) forçaram milhares de civis a fugir da cidade de Uvira e de outras áreas próximas.
“O regresso também foi acelerado pela falta de financiamento significativo para a resposta humanitária no Burundi, o que reduziu o nível de ajuda e empurrou muitos de volta para situações ainda marcadas pela incerteza”, acrescentou.
Segundo o ACNUR, 30% dos repatriados viviam no campo de refugiados do Burundi em Busuma (oeste), o que causou a destruição de recursos e a falta de água, saneamento e cuidados médicos.
Quase 4.500 pessoas permanecem no campo de trânsito à espera de serem transferidas para Busuma, que abriga 67 mil dos 109 mil refugiados congoleses.
As famílias chegam com mantimentos, mas carecem de abrigo, necessidades e acesso a serviços básicos, pois muitas viram as suas casas destruídas e os seus pertences saqueados, impossibilitando-as de retomar a sua vida normal.
A agência das Nações Unidas anunciou que as necessidades dos refugiados, repatriados e deslocados na RDC contam com 34% do financiamento necessário, num total de 145 milhões de dólares. No Burundi, o apoio aos refugiados congoleses mal chega a 20%.
“O ACNUR – concluiu – necessita urgentemente de financiamento adicional para atender às necessidades dos repatriados e das pessoas deslocadas”.
Desde 1998, a parte oriental da RDC está envolvida num conflito entre milícias rebeldes e o Exército, apesar da presença da missão de manutenção da paz das Nações Unidas (Monusco).















