Por um breve período, na próxima semana, Páscoa e Semana Santa, as celebrações sagradas de judeus e cristãos se sobreporão. Judeus de todo o mundo se reunirão nas noites de quarta e quinta-feira para o Seder, que conta a história do Êxodo do Egito e da mão salvadora de Deus na história. E depois da Sexta-feira Santa e do Sábado Santo, no domingo, 5 de abril, os cristãos celebrarão a ressurreição de Jesus Cristo e a promessa da salvação eterna. Duas tradições na Bíblia, distintas, mas da mesma genealogia abraâmica, marcarão a época santa ao mesmo tempo.
Nestes tempos tumultuados, esta coincidência de calendário parece um pouco mais do que um mero acaso. Um lembrete profundo da herança moral e teológica comum do Judaísmo e do Cristianismo – o terreno comum que moldou e moldou o que conhecemos hoje. Civilização Ocidental.
Em sua essência, ambos os feriados são sobre redenção. Para os judeus, a Páscoa é a história de um povo libertado da escravidão, da justiça divina aplicada contra a tirania e do propósito da aliança que foi finalmente criada após a libertação da nação. Da mesma forma para os cristãos, a Páscoa é uma história de redenção – pecado enfrentado e vencido, sacrifício e renovação, vida superando a morte. Certamente, os detalhes teológicos diferem e a maior ênfase do Judaísmo no particularismo contrasta com a orientação universal do Cristianismo, mas a mensagem básica permanece a mesma: A esperança brota eterna.
Central para ambas as tradições e para as férias de primavera é a ideia de arrependimento. No judaísmo, o conceito de teshuvá – regressar a Deus através do arrependimento e de boas obras – é a pedra angular da vida religiosa. A tradição judaica ensina que, além do conhecido foco no arrependimento na temporada de férias do outono, a primavera da Páscoa é um excelente momento para fazer as pazes e aproximar-se de Deus com confiança. O Cristianismo, é claro, coloca o arrependimento no centro da renovação espiritual, chamando os crentes a se afastarem do pecado e em direção ao amor e à graça. A imagem da crucificação de Cristo está gravada na memória do Ocidente, talvez mais do que qualquer outra coisa, devido à sua ênfase na expiação do pecado humano.
Esses valores compartilhados – redenção, arrependimento, responsabilidade moral – ajudam a construir os alicerces da civilização ocidental moderna. Afastando-nos do amplo tema da coincidência do calendário desta época, consideremos alguns dos outros princípios que definem o Ocidente: o Estado de direito, a dignidade do indivíduo, a santidade da vida, a busca pela justiça. As impressões digitais da herança bíblica ecumênica estão por toda parte. Esta é a nossa herança comum. Isto é quem somos.
Contudo, sobretudo neste momento, em que o sincretismo da Páscoa e da Páscoa deveria suscitar a reflexão sobre este património comum, maus atores na casa tentando separar judeus e cristãos. O momento desta interrupção não poderia ter sido pior. O Ocidente está numa situação sem precedentes. As ameaças são multifacetadas e reais.
Existe o desafio do Islamismo – uma ideologia política autoritária, historicamente além das fronteiras da América, mas cada vez mais dentro das fronteiras, que procura não a coexistência pacífica, mas a dominação. Existe a podridão do neomarxismo, que rejeita a verdade absoluta, destrói a dignidade e procura substituir a responsabilidade individual pelas queixas colectivas e por uma cultura do excesso. E há as forças cada vez maiores da globalização, que ameaçam minar a soberania nacional, diluir a individualidade cultural e promover uma governação tecnocrática homogénea em detrimento da responsabilização democrática que só o Estado-nação pode proporcionar.
Face a estes desafios, Judeus e Cristãos não devem ser separados. Simplesmente não podemos permitir isso. A sucessão de símbolos este ano deveria ser um momento para reflectir que, apesar das nossas verdadeiras diferenças teológicas, estamos ligados por uma grande herança comum e por um destino comum inescapável.
Isso não significa apagar a distinção. Mas significa que reconhecemos que somos aliados numa luta civilizacional mais ampla. Isto significa que compreender os valores que partilhamos é muito mais importante do que as doutrinas que nos dividem, neste momento da história. Apesar da forte oposição, a tradição judaico-cristã já é uma poderosa força unificadora nos Estados Unidos – um sistema que transcende as linhas religiosas.
Agora é a hora de construir sobre essa base. Quando as famílias se reúnem em torno da mesa do Seder e do serviço da Páscoa, há uma oportunidade de refletir não apenas sobre o passado, mas também sobre o futuro. Que tipo de civilização queremos preservar e deixar para os nossos filhos? Que valores, costumes e modos de vida valem a pena proteger? E quem ficará com essa defesa?
A história do Ocidente é, em muitos aspectos, uma história colectiva. Uma história enraizada na crença de que o homem foi feito à imagem de Deus, a redenção é possível, o arrependimento é necessário e o homem é chamado a algo superior. Em última análise, cabe-nos a nós levar esta mensagem a sério – e dar as mãos e unir forças como nunca antes para preservar o nosso legado para as gerações vindouras.
O último livro de Josh Hammer é Israel and Civilization: The Fate of the Jewish State and the Fate of the West..” Este artigo foi criado em colaboração com Creators Syndicate. X: @josh_hammer















