Início Notícias Mudanças na medição de renda do Indec distorceram dados de redução da...

Mudanças na medição de renda do Indec distorceram dados de redução da pobreza, segundo estudo independente

14
0

Para Equilibra, “a mudança radical na arrecadação de renda da EPH prolongou o recente declínio da pobreza”. REUTERS/Tomás Cuesta

A última publicação do Indec confirmou aos analistas a mudança da organização estatística na arrecadação dos rendimentos dos trabalhadores Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH), aqueles que “prolongaram a redução da pobreza” desde que a melhoria oficial registou “não eram consistentes com a situação”, segundo o relatório da Equilibra.

A consultoria destacou que o relatório do Indec publicado nesta segunda-feira sobre distribuição de rendimentos mostrou que os rendimentos dos trabalhadores da EPH aumentaram entre 43% (trabalhadores oficiais) e 70% (não remunerados) anualmente no quarto trimestre de 2025, muito mais do que a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) -31%- e da Cesta Básica Total (CBT).

Gráfico horizontal mostrando as mudanças anuais na renda e outros indicadores econômicos, com a renda não salarial em 70%
Variação ano a ano na receita da EPH no quarto trimestre de 2025 (Equilibra)

“Segundo a EPH, o rendimento dos trabalhadores aumentou no quarto trimestre do ano passado. A melhoria anual do poder de compra do rendimento dos trabalhadores ultrapassou um ponto na maioria dos casos quando se tratava do IPC ou do CBT, enquanto o PIB subiu apenas 2,1% no período”, disse Equilibra.

Gráfico de barras horizontais mostrando a variação anual da renda capturada pelo CBT e pelo IPC, comparando diferentes tipos de renda e PIB
Renda de CBT e CPI (Equilibra)

A grande diferença registada entre o crescimento da economia e o rendimento real dos trabalhadores inquiridos “indica que este último está a recuperar. melhorias de renda irrealistas, pelo contrário, reflecte a falta de declaração de rendimentos (leia-se melhor retenção na fonte) por parte dos entrevistados”, observou o consultor.

Neste sentido, referiu que o aumento anual do vencimento oficial na última parte de 2025 – medido pelo Índice Salarial (30% ao ano), pelo SIPA (32%) e pelo RIPTE (37%) – está um ponto percentual abaixo do aumento do rendimento oficial apresentado pela EPH (43%).

O economista Gonzalo Carreira Ele acrescentou que “a receita da EPH aumentou significativamente até o final de 2023 (no piso da arrecadação) e permaneceu entre 30% e 40% superior ao total da Cesta Básica”.

“Não é a informalidade especial ou o decil próximo da taxa de pobreza, mas todos eles. Também não se explica que o cabaz seja inferior à inflação (efeito preço relativo). A principal razão é a melhoria da inflação (declaração reduzida) a todos os níveis”, acrescentou.

Enquanto isso, Equilibra concluiu: “Há evidências científicas convincentes de que “Mudanças drásticas na arrecadação de receitas da EPH exacerbaram os recentes declínios da pobreza.”.

(Foto da Infobae)
Obra: “O principal motivo é que o recrutamento melhorou (as declarações diminuíram) em todos os níveis” (Imagem Ilustrativa Infobae)

O relatório Equilibra junta-se a outro conhecido há um dia com a mesma conclusão. Este é o caso CEDLAS, da Universidade de La Plataque já apontou este problema processual e outros que foram afetados pela mudança repentina na natureza da pobreza.

Vale lembrar que a pobreza era de 41,7% no segundo semestre de 2023, segundo o Indec, e passou para 52,9% no primeiro semestre de 2024, e diminuiu para 38,1% no segundo semestre do mesmo ano e diminuiu ainda mais para 31,6% no primeiro semestre de 2025.

Cedlas estabeleceu 3 factores que podem afectar a medição: um possível atraso entre o período de rendimento do inquérito do Inquérito Permanente aos Agregados Familiares (EPH) e o momento em que o cabaz de pobreza foi utilizado; a evolução da renda subdeclarada segundo sua origem, a partir da comparação entre EPH e registros administrativos; e o impacto da introdução de métodos de consumo recentes para determinar o valor da linha de pobreza, através da reestimação do Coeficiente de Engel com base no Inquérito às Despesas das Famílias (ENGHo) 2017/2018.

Gráfico que mostra a evolução da pobreza com diversas métricas entre 2018 e 2025, mostrando percentagens no eixo Y e tempo no eixo X.
Esta linha do tempo explica o progresso e as projeções da pobreza em percentagens, comparando os métodos de cálculo de 2018 a 2025, com um pico distinto em 2024. (CEDLAS)

“Ao combinar os 3 ‘ajustes’, a trajetória da pobreza mudou completamente: entre o segundo semestre de 2023 e o primeiro semestre de 2025, não teria caído 10 pp, como sugerem as estatísticas oficiais, mas sim cerca de 2 pp, ascendendo a 41,5%”, afirmou o CEDLAS. No mesmo período, o Indec atingiu 31,6%.

Além do mais, Agostinho Sálviadiretor do Observatório da Dívida Social Argentina (ODSA) da UCA, disse em Informações ao vivo: “Há uma contradição entre as estatísticas de pobreza e de consumo.”

Ele alertou que “a medição da pobreza perde validade, geralmente comparando-a posteriormente”. “Estamos melhores, mas está tão mau como quando surgiu a epidemia, quando estávamos a recuperar”, disse.



Link da fonte

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui