A última publicação do Indec confirmou aos analistas a mudança da organização estatística na arrecadação dos rendimentos dos trabalhadores Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH), aqueles que “prolongaram a redução da pobreza” desde que a melhoria oficial registou “não eram consistentes com a situação”, segundo o relatório da Equilibra.
A consultoria destacou que o relatório do Indec publicado nesta segunda-feira sobre distribuição de rendimentos mostrou que os rendimentos dos trabalhadores da EPH aumentaram entre 43% (trabalhadores oficiais) e 70% (não remunerados) anualmente no quarto trimestre de 2025, muito mais do que a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) -31%- e da Cesta Básica Total (CBT).

“Segundo a EPH, o rendimento dos trabalhadores aumentou no quarto trimestre do ano passado. A melhoria anual do poder de compra do rendimento dos trabalhadores ultrapassou um ponto na maioria dos casos quando se tratava do IPC ou do CBT, enquanto o PIB subiu apenas 2,1% no período”, disse Equilibra.

A grande diferença registada entre o crescimento da economia e o rendimento real dos trabalhadores inquiridos “indica que este último está a recuperar. melhorias de renda irrealistas, pelo contrário, reflecte a falta de declaração de rendimentos (leia-se melhor retenção na fonte) por parte dos entrevistados”, observou o consultor.
Neste sentido, referiu que o aumento anual do vencimento oficial na última parte de 2025 – medido pelo Índice Salarial (30% ao ano), pelo SIPA (32%) e pelo RIPTE (37%) – está um ponto percentual abaixo do aumento do rendimento oficial apresentado pela EPH (43%).
O economista Gonzalo Carreira Ele acrescentou que “a receita da EPH aumentou significativamente até o final de 2023 (no piso da arrecadação) e permaneceu entre 30% e 40% superior ao total da Cesta Básica”.
“Não é a informalidade especial ou o decil próximo da taxa de pobreza, mas todos eles. Também não se explica que o cabaz seja inferior à inflação (efeito preço relativo). A principal razão é a melhoria da inflação (declaração reduzida) a todos os níveis”, acrescentou.
Enquanto isso, Equilibra concluiu: “Há evidências científicas convincentes de que “Mudanças drásticas na arrecadação de receitas da EPH exacerbaram os recentes declínios da pobreza.”.

O relatório Equilibra junta-se a outro conhecido há um dia com a mesma conclusão. Este é o caso CEDLAS, da Universidade de La Plataque já apontou este problema processual e outros que foram afetados pela mudança repentina na natureza da pobreza.
Vale lembrar que a pobreza era de 41,7% no segundo semestre de 2023, segundo o Indec, e passou para 52,9% no primeiro semestre de 2024, e diminuiu para 38,1% no segundo semestre do mesmo ano e diminuiu ainda mais para 31,6% no primeiro semestre de 2025.
Cedlas estabeleceu 3 factores que podem afectar a medição: um possível atraso entre o período de rendimento do inquérito do Inquérito Permanente aos Agregados Familiares (EPH) e o momento em que o cabaz de pobreza foi utilizado; a evolução da renda subdeclarada segundo sua origem, a partir da comparação entre EPH e registros administrativos; e o impacto da introdução de métodos de consumo recentes para determinar o valor da linha de pobreza, através da reestimação do Coeficiente de Engel com base no Inquérito às Despesas das Famílias (ENGHo) 2017/2018.
“Ao combinar os 3 ‘ajustes’, a trajetória da pobreza mudou completamente: entre o segundo semestre de 2023 e o primeiro semestre de 2025, não teria caído 10 pp, como sugerem as estatísticas oficiais, mas sim cerca de 2 pp, ascendendo a 41,5%”, afirmou o CEDLAS. No mesmo período, o Indec atingiu 31,6%.
Além do mais, Agostinho Sálviadiretor do Observatório da Dívida Social Argentina (ODSA) da UCA, disse em Informações ao vivo: “Há uma contradição entre as estatísticas de pobreza e de consumo.”
Ele alertou que “a medição da pobreza perde validade, geralmente comparando-a posteriormente”. “Estamos melhores, mas está tão mau como quando surgiu a epidemia, quando estávamos a recuperar”, disse.















