Guayaquil (Equador), 24 de abril (EFE).- O aumento da violência das gangues no Equador para proteger suas vidas causou uma crise “sem precedentes” de deslocamento interno forçado, especialmente em Guayaquil, a cidade mais populosa do país, segundo um relatório apresentado nesta sexta-feira.
“A migração interna forçada pela violência tornou-se um fenômeno grave e permanente no Equador, que não pode mais ser ignorado ou tratado como resultado da insegurança”, afirma o relatório, elaborado pelo Comitê Permanente para a Proteção dos Direitos Humanos em Guayaquil (CDH).
A investigação se concentra em Socio Vivienda, uma área no noroeste de Guayaquil que interveio, sem sucesso, diversas vezes devido a denúncias de tráfico de drogas e tiroteios de gangues.
Em 6 de março de 2025, vinte e duas pessoas foram mortas num ataque armado, segundo a polícia, devido a um conflito entre facções do grupo criminoso Los Tiguerones, e cerca de 300 famílias fugiram da área naquele dia, enquanto as gangues tomavam o controle da comunidade, detalha o documento, acrescentando que o que não escapou e teve que ir para a prisão.
Para o CDH, o caso da Socio Vivienda deve ser considerado “a forma mais extrema de um padrão mais amplo” que ocorreu em outras províncias: ocupação criminosa de comunidades, deterioração gradual da sociedade e saída forçada como última tática de sobrevivência.
A organização documentou deslocamentos forçados em pelo menos três outras áreas ao sul e ao norte de Guayaquil, mas a crise é mais generalizada.
Em 2024, o Equador era o terceiro país da América Latina com mais pessoas deslocadas pela violência, com 101 mil casos, segundo dados do Conselho Norueguês para os Refugiados citados pelo CDH; uma pesquisa da 3iSolution descobriu que, no mesmo ano, 82.876 pessoas com mais de 15 anos relataram ter sido deslocadas devido à violência e à insegurança no país.
Já a Provedoria de Justiça estima que, entre 2022 e 2024, mais de 248 mil pessoas com mais de 15 anos mudaram de casa devido à violência.
E o Equador vive uma crise de violência sem precedentes que o colocou no topo da taxa de homicídios na América Latina e só no ano de 2025 o número de assassinatos chegará a 9.269, com uma taxa de homicídios de mais de 50 pessoas por 100.000 habitantes.
“Fugir para salvar a minha vida, este é o centro do deslocamento forçado. Estão fugindo de uma forma inesperada, de repente e não houve resposta das instituições governamentais para responder a esta crise humanitária”, queixou-se Billy Navarrete, diretor do CDH, que classificou esta situação como “sem precedentes no país”.
Valeska Chiriboga, autora do relatório, afirmou que, em alguns casos, a migração para outras áreas também não garante segurança, porque quem foge é perseguido e, devido à prevalência do crime organizado, perseguido, especialmente os líderes da comunidade.
O relatório recomenda que o Governo reconheça o deslocamento interno devido à violência, crie um registo nacional de pessoas deslocadas e políticas públicas dirigidas às vítimas, que incluam programas de reassentamento seguro, assistência ao arrendamento, melhorias habitacionais e reabilitação abrangente das áreas afectadas. EFE















