Beatriz Castañeda
Valladolid, 24 de maio (EFE) .- O conflito entre teatro de rua e teatro, que perpassou toda a história da companhia basca Trapu Zaharra, é a direção de seu último espetáculo, ‘Fim e partimos’, onde se despede após quarenta anos de comédia de rua.
“É uma desculpa para nos despedirmos com calma, sem entusiasmo nem qualquer outra coisa no mundo, como um detetive que diz: ‘Finalmente estou me aposentando’”, disse Santi Ugalde, um dos pioneiros da empresa que, em entrevista à EFE, confirmou a necessidade de “restaurar” o trabalho.
A próxima paragem é este fim de semana em Valladolid, no âmbito do 27.º Festival de Teatro e Arte de Rua (TAC), onde esteve Trapu Zaharra, evento que homenageia nesta edição o Departamento de Cultura do Governo Basco.
Trapu Zaharra, desde o início, fez beleza por necessidade: no palco desenvolvido na parte alta da cidade basca, valorizaram o teatro de rua numa época em que a possibilidade de atuar nas cidades era muito limitada, e não era possível fazê-lo na cidade por falta de infraestrutura.
“É um tratamento muito direto, como se você e eu estivéssemos conversando na rua”, disse Ugalde para descrever seu amor pelo teatro de rua: “Convidamos o público a participar da nossa peça”, acrescentou.
Este ator afirma que sua companhia contou com a comédia para contar, por meio de mais de trinta cenas, “a história do perdedor”, dinâmica que coloca o ator em uma posição inferior no respeito do público.
Depois de sua longa carreira, Ugalde criticou o fato de os fundos institucionais muitas vezes estarem voltados para produções teatrais e necessitarem de maior apoio institucional para a divisão do trabalho, o que, em sua opinião, dá vida à companhia.
Junto com comédias violentas e performances de rua, Ugalde lembra das muitas vezes em que integrantes da companhia acabaram na delegacia por causa de espectadores que misturavam ficção e realidade ao ver alguém em apuros.
“Quero fazer o que fizemos quase no início, se a intervenção fosse mais vietnamita, mais maluca”, disse Ugalde.
O ator admitiu que no início fizeram teatro mais perigoso e pularam na piscina “com ou sem água”, mas o cansaço mental está por trás da decisão da companhia de parar de funcionar.
Trapu Zaharra chegou a Valladolid com a sátira de um dos mais famosos escritores, Miguel Delibes, através da sua obra ‘Cinco horas com Mario’, que transformam num complexo de vida conjugal.
O espetáculo brinca com a solidão de seu protagonista para refletir sobre o “poder dado aos homens nas relações”, explicou Ugalde.
O ator interpreta um comediante que discute com os colegas sobre a possibilidade de exibir a cena desse casamento na sala ou na rua, num espetáculo que representa um conflito entre o que é considerado cultura e entretenimento.
Após a sua estadia no TAC, a obra regressará à sua terra natal para participar no Festival de Teatro e Artes de Rua de Bilbao ou na Exposição Internacional de Artes de Rua de Vitória. EFE
(Foto)















