Num desenvolvimento notável, o popular programa “60 Minutes” da CBS News decidiu não transmitir uma história programada sobre as práticas de deportação da administração Trump envolvendo imigrantes enviados para El Salvador. A decisão de interromper o segmento, que apresentava a jornalista Sharyn Alfonsi entrevistando exilados que acabaram na famosa prisão CECOT, foi tomada poucas horas antes do horário de transmissão do programa sob a direção de Bari Weiss, o novo editor-chefe.
Alfonsi transmitiu o seu descontentamento num email aos colegas, revelando que tomou conhecimento da decisão no sábado, um dia antes do espetáculo agendado. Ele confirmou que o relatório passou por uma verificação rigorosa e foi aprovado pelas equipes jurídica e de notícias da CBS. Segundo ele, o cancelamento de última hora não foi apenas uma escolha editorial, mas uma jogada política, já que todos os aspectos da história atenderam aos rígidos critérios estabelecidos pela emissora.
A mudança repentina na distribuição poderia fortalecer o controle de Weiss, que assumiu a CBS News depois que sua controladora, a Paramount, passou por uma grande mudança de propriedade neste outono. Weiss, conhecido por fundar o site Free Press, enfrenta um ambiente difícil, especialmente porque a sua decisão advém das contínuas críticas ao programa “60 Minutos” do ex-presidente Donald Trump. Trump já expressou seu descontentamento com o programa, depois de trollá-lo no outono passado em uma entrevista com Kamala Harris, que fechou um acordo no início deste verão.
Em resposta, Weiss emitiu uma declaração ao The New York Times, enfatizando o seu compromisso em manter elevados padrões de jornalismo. Ele observa que seu papel é garantir que todas as histórias publicadas sejam tão completas e abrangentes quanto possível. Weiss explica que é prática comum nas redações que muitas histórias não sejam divulgadas por vários motivos – incluindo contexto insuficiente ou ausência de uma voz crítica. Ele expressou seu desejo de transmitir o artigo de Alfonsi quando for considerado pronto, apontando para um futuro para o relatório, mesmo sob um escrutínio mais aprofundado e um debate contínuo sobre as decisões editoriais da rede.















