A deputada e pastora Milagros Jáuregui (Renovación Popular) causou esta quarta-feira uma onda de rejeição nas redes sociais depois de circularem partes das declarações apresentadas numa entrevista recente, na qual admitiu ter forçado menores vítimas de violência sexual a tornarem-se mães com o apoio do Estado.
Jáuregui participou na semana passada do podcast Za Gente, transmitido pela plataforma ILAD Media, e relatou que há dez anos abriu um “abrigo” onde meninas de 10 a 13 anos são vítimas de abusos.
“O Ministério da Mulher (MIMP) e o Tribunal de Família enviam-nos e temos todo o processo de cura emocional e física destas meninas. Nenhuma das meninas que deram à luz se arrependeu (…) porque a criança é vítima de toda esta dor. Só a criança recebe a pena de morte e as restantes não”, apontou.
Ele garantiu aos menores apoio mental e emocional em seu abrigo e depois expressou sua rejeição ao aborto médico e legal no país durante um século.

O legislador referiu ainda os motivos que o levaram, sem considerar as consequências fatais para crianças e jovens, a campanha contra a revisão das orientações clínicas e procedimentos em obstetrícia e perinatologia do Instituto Nacional Materno Perinatal (INMP), documento que reconhece que a gravidez devida à violação de menores pode causar graves danos à saúde mental, o que justifica juridicamente a interrupção do tratamento.
“Reuni-me com o ministro da Saúde e o que fizemos foi conscientizá-los deste protocolo interno e respeitar a lei”, disse, equiparando o aborto legal a um crime.
Esses anúncios causaram uma onda de negação em diferentes áreas. Rossina Guerrero, do Promsex, manifestou surpresa com a “crueldade” dos parlamentares e candidatos à reeleição.
“É uma péssima ideia porque há meninas que ouvem isso, e isso reforça a ideia de que não são vítimas de violência; e se reclamam são consideradas criminosas. O que a senhora está a fazer é degradá-las e, por outro lado, mentir e negar-lhes o resultado do parto”, disse. Infobae Peru.

“Estamos a falar de meninas que viveram um horror e vieram para o Estado – as poucas que o podem fazer – para serem cuidadas, mas foram transferidas para abrigos que se diz não serem vítimas de violência.
A deputada Ruth Luque destacou que Jáuregui e “os fundamentalistas religiosos usam a sua fé como base para as suas ideias políticas”, sem proteger a vida num país onde, só em 2025, “21 jovens com menos de 17 anos foram violados e três meninas com menos de 14 anos tiveram que continuar a engravidar todos os dias”.
“Eles defendem a ideologia de sacrificar as meninas e justificar os estupradores. Forçar as meninas a engravidar não é apenas violência institucional, mas prolonga os danos, destrói seus projetos de vida”, escreveu ele em sua antiga conta no X Twitter.
A advogada feminista Josefina Miró Quesada, por sua vez, criticou o MIMP por entregar vítimas de estupro a mercenários, como ela as chamava. “Não basta reduzir as meninas ao útero; ameaçar as suas vidas com uma gravidez forçada e obrigá-las a serem mães para o resto da vida. É um crime”, publicou na mesma rede social.
A assessoria de imprensa do ministério liderado por Sandra Gutiérrez informou que, no momento, não há nenhum comunicado a respeito.















