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A dificuldade da Espanha em participar nos exercícios militares da NATO na Gronelândia

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Tereza Diaz

Madrid, 22 de janeiro (EFE).- A França solicitou exercícios militares da NATO na Gronelândia e a ministra da Defesa, Margarita Robles, não fechou a porta à participação de Espanha, apesar das dificuldades causadas pela missão nesta situação. O Exército Espanhol tem capacidade para operar no Ártico?

Para responder a esta questão, a EFE conversou com Félix Arteaga, investigador sénior de segurança e defesa do Instituto Real Elcano, que garante que Espanha não tem poder militar no setor do Ártico.

O especialista explica que o Exército espanhol tem participado em missões no ambiente subártico com navios, aeronaves e forças terrestres, mas enfrentar os rigores do Ártico é outra coisa.

“Ninguém antes, exceto por uma necessidade como esta, colocou as suas tropas na Gronelândia”, disse Arteaga, que lembra que 80% do seu território é ártico e 20% subártico.

O pedido da França surgiu um dia antes de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter dito na quarta-feira em Davos (Suíça) que não pretende usar a força para anexar a Gronelândia depois de alcançado um acordo conceptual sobre a ilha, embora não tenha fornecido detalhes.

Oito países europeus, incluindo França, Alemanha e Reino Unido, já enviaram um pequeno contingente de tropas para a ilha na semana passada para exercícios liderados pela Dinamarca e organizados com aliados da NATO, mas fora da Aliança Atlântica e sem os Estados Unidos.

O ministro garantiu que Espanha participará nas missões decididas por todos os parceiros da Aliança, incluindo a Gronelândia se necessário, embora tenha alertado para a situação incerta.

Numa declaração aos meios de comunicação social durante uma visita quarta-feira à Academia de Infantaria de Toledo, Robles sublinhou que Espanha é membro da NATO e por isso trabalha sempre com os seus aliados e parceiros, e se vários países proporem que a Aliança Atlântica realize uma missão no Atlântico, participará como a Gronelândia está a fazer agora em “missões múltiplas”.

Neste contexto, o especialista Elcano alerta que a participação em exercícios num ambiente hostil como a Gronelândia afecta a formação, a sobrevivência e até a saúde mental dos soldados, razão pela qual considera “muito difícil” para o Exército espanhol poder trabalhar nesta área neste momento.

“Não é a mesma coisa que houvesse um oficial ou um oficial que não participou em vários estudos ou cursos sobre o ambiente do Ártico para pegar num grupo e prepará-lo com o nível de formação necessário para lá ir”, assegurou.

Este investigador centra-se no facto de ser um curso que demora muito tempo, onde deve adaptar gradualmente a sua atitude e testar os equipamentos, que devem ser específicos. Temos que sobreviver a estas temperaturas, que já são um problema, e depois trabalhar, destacou.

Por isso insiste que Espanha não tem poder militar na operação na Gronelândia. Mas ele também viu o de outros países aliados, incluindo os Estados Unidos e o Canadá, como “muito limitado”.

Assim, segundo a sua opinião, o ponto de partida é que nenhum país está completamente pronto para trabalhar no Ártico, exceto aqueles que têm território no círculo polar como a Noruega ou a Finlândia.

“Até agora não é necessário desenvolver estas competências, porque nesta área sempre houve cooperação e détente mais do que tensão”, disse Arteaga, que recorda a palavra que prevalecia até agora entre os diferentes países “Ártico Extremo, tensão mínima”.

No entanto, admite que o Árctico como teatro de operações irá aderir à NATO, mas insiste que até agora isso não foi considerado porque é contrário ao que diz o presidente Trump que não há urgência sobre o perigo da ocupação da Rússia.

Mas é lógico que os aliados queiram preparar as suas forças para enfrentar “o que quer que aconteça” e, para isso, “têm de começar a fazer um treino cada vez maior na região do Árctico”, acrescentou. EFE



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