A Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a certificação da Espanha como país sem sarampo após um aumento de casos nos últimos dois anos. O Ministério da Saúde recebeu esta terça-feira uma notificação oficial do Comité Regional Europeu de Verificação para a Eliminação do Sarampo e da Rubéola (CRV), um grupo de especialistas independentes da OMS, que afirmava que, após a avaliação anual dos dados epidemiológicos e laboratoriais de 2024, considera-se que Meus surtos de sarampo estão de volta na Espanha.
A organização internacional retirou este reconhecimento a outros cinco países: Arménia, Áustria, Azerbaijão, Uzbequistão e Reino Unido. Como resultado, o vírus do sarampo circula agora em 13 países europeus, incluindo França, Alemanha, Itália e Espanha.
A decisão surge no contexto de uma pandemia global. A incidência do sarampo tem aumentado de forma constante nos últimos anos: em 2024, a OMS relatou um aumento de 86% nos casos de sarampo na Região do Mediterrâneo Oriental, 47% na Região Europeia e 42% na Região do Sudeste Asiático em comparação com 2019.
Na Europa, o aumento de casos ocorreu a partir de 2023, ano em que o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) reportou 3.973. No ano seguinte, o número de casos aumentou para 35.212. A nível nacional, o crescimento também é alarmante: se houver 2023 11 casos notificados sarampo, no ano de 2024 já eram 227, número que chegava 397 até 2025.

Em resposta à retirada do rótulo da OMS, o Ministério da Saúde garantiu que fortalecerá a estratégia nacional para restaurar a eliminação do sarampo. A Espanha alcançou o estatuto de país livre do sarampo em 2016 devido à ausência de surtos em 36 meses, e começou a trabalhar na revisão do seu Plano Estratégico de Eliminação do Sarampo e da Rubéola com o objectivo de alcançar novamente este reconhecimento.
Nesse sentido, o ministério ressalta a importância da vacinação no combate ao vírus. A vacinação com a vacina MMR (sarampo, rubéola e caxumba) ainda é a forma mais eficaz de prevenir o sarampo e é o que mostram os dados: dos 227 casos notificados em 2024, 160 não foram vacinados e 7 tomaram dose única.

A nível nacional, a cobertura vacinal é muito elevada e em 2024 atingiu 97,3% para a primeira dose e 93,8% para a segunda. Para uma cobertura eficaz, no entanto, é necessário alcançar mais de 95% de cobertura em ambas as doses. Por esta razão, a Saúde recomenda o desenvolvimento de estratégias específicas dirigidas aos grupos com baixa cobertura vacinal, a revisão e actualização do estado de vacinação em consulta com os profissionais de saúde e a promoção da divulgação de informação ao público em geral sobre o sarampo, como é transmitido e como preveni-lo.















