A União Europeia contribuiu com 10 milhões de euros para apoiar os trabalhos preparatórios do Tribunal Penal Especial para o ataque à Ucrânia, medida que visa reforçar a infraestrutura institucional, logística e organizacional, segundo a notícia. Este apoio, que foi inicialmente acordado com Kiev, representa um passo à frente da inclusão formal da comunidade como membro fundador do novo tribunal, uma medida promovida oficialmente esta quarta-feira pela Comissão Europeia e que requer a aprovação final dos vinte e sete estados-membros da UE.
Segundo a reportagem publicada pela fonte noticiosa, a criação deste tribunal responde a um longo pedido do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, estabelecido desde o início do conflito com a Rússia. O principal objectivo é perseguir e processar os directamente responsáveis pela invasão russa do território ucraniano, de uma forma complementar ao Tribunal Penal Internacional (TPI). Ao contrário do TPI, o Tribunal Especial pode julgar os arguidos na sua ausência, caso estes tenham negado o seu direito de participar no processo.
Segundo relatos dos meios de comunicação social, assim que o Conselho da União Europeia der luz verde à proposta legislativa, Bruxelas informará o Conselho Europeu da intenção da União de se tornar membro fundador do Tribunal. Isto permitirá à União Europeia desempenhar um papel ativo no Comité de Gestão do órgão, participando na direção estratégica e no funcionamento do tribunal.
O tribunal terá um sistema de quinze juízes e um Ministério Público dedicado. O seu âmbito abrange altos funcionários civis e militares que se acredita serem responsáveis pelo planeamento, preparação, lançamento ou execução de um ataque à Ucrânia. A possibilidade de acção penal “in absentia” é descrita como um novo instrumento jurídico no domínio da justiça internacional.
Esta proposta recebeu apoio na arena política europeia. A Alta Representante da Política Externa da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou num comunicado recolhido por fontes que a procura de justiça ajuda a dissuadir futuros perpetradores de violência e a importância da justiça é maior num momento em que o direito internacional está sujeito a constrangimentos históricos. Segundo eles, a resposta a esta situação deve passar pelo reforço do sistema de responsabilização.
A fonte observou que Michael McGrath, Comissário para a Justiça e Direito, destacou a importância do sistema judicial. Ele observou: “Não haverá paz justa sem responsabilização”, sublinhando que a criação deste tribunal representa um “passo decisivo” para garantir que os responsáveis pela violência sejam levados à justiça.
A mídia acrescentou que o processo de criação do Tribunal Especial envolve coordenação internacional. Conforme destacou, a elaboração dos artigos jurídicos fundadores envolveu diretamente a União Europeia e recebeu apoio político da cooperação internacional de países e organizações internacionais, cujo apoio jurídico foi assinado em 9 de maio de 2025.
Atualmente, a adesão formal à União Europeia depende da aprovação dos governos dos vinte e sete países que compõem a União Europeia. Uma vez concluído este processo, a União poderá intervir tanto na primeira fase como na administração quotidiana do Tribunal, reforçando a sua posição como parceiro na protecção do direito internacional e nos esforços globais para a responsabilização no mundo da violência armada.
Segundo fontes, o Tribunal Especial pretende dar uma resposta complementar ao trabalho do TPI, um actor tradicional na repressão de crimes internacionais, com poderes especiais para enfrentar a violência estatal e acusações directas contra líderes políticos e militares que participam em tais actividades. A criação do tribunal decorre do acordo celebrado entre Bruxelas e Kiev em 2024, o processo avançou em 2026 com o apoio financeiro acima referido e a constituição da equipa de funcionários responsável pela sua implementação.
Este desenvolvimento faz parte de um esforço internacional mais amplo para garantir que as ações tomadas durante o conflito na Ucrânia sejam julgadas de acordo com o quadro jurídico internacional. As organizações e intervenientes governamentais sublinharam a necessidade de um mecanismo eficaz para atribuir responsabilidades, tanto individuais como colectivas, em conflitos armados, fortalecendo a legitimidade do direito humanitário internacional face aos desafios actuais.















