Poucos dias depois de os ataques violentos a dois importantes jornais do Bangladesh terem sido alvo de condenação internacional, as ameaças aos meios de comunicação social do país intensificaram-se. Um recente incidente envolvendo uma estação de televisão com sede em Dhaka levantou um novo alarme sobre a liberdade de imprensa no meio da turbulência política.
No dia 21 de dezembro, um grupo de jovens aproximou-se da sede da Global TV Bangladesh, na capital. Eles emitiram um ultimato severo à administração, exigindo a demissão do chefe da mídia e âncora popular, Naznin Munni. O grupo alertou que os escritórios da TV serão incendiados se as suas exigências não forem atendidas, dizendo que Munni tem ligações com a Liga Awami, o actual partido no poder.
Estas pessoas identificaram-se como membros do Movimento Estudantil Contra a Discriminação, o grupo que liderou protestos em massa no ano passado. Contudo, a organização distanciou-se da ameaça e o seu presidente, Rifat Rashid, confirmou que tais ações não refletem as ações do grupo. Ele prometeu tomar medidas se algum membro fosse considerado responsável pela intimidação.
Esta reunião sinistra ocorreu apenas três dias depois de multidões terem vandalizado e queimado os escritórios de dois jornais proeminentes, Prothom Alo e The Daily Star. Os ataques ocorreram após novos distúrbios após a morte de Sharif Osman Hadi, um polêmico líder jovem conhecido por seus sentimentos anti-Índia. Hadi ganhou destaque durante a revolta estudantil de 2024, que levou à destituição da ex-primeira-ministra Sheikh Hasina. Ele foi morto a tiros por homens armados desconhecidos no início deste mês.
Numa publicação no Facebook, Munni revelou que várias pessoas se deslocaram aos escritórios da Global TV, alertando que o canal poderia sofrer o mesmo destino dos jornais atacados se ele não saísse. Ele descreveu o incidente como parte de uma campanha mais ampla destinada a silenciar jornalistas e meios de comunicação independentes. Embora Munni não estivesse presente durante o confronto, ele explicou que os jovens confrontaram o diretor-gerente do canal, criticando a emissora pela cobertura da morte de Hadi.
A administração rejeitou alegações de preconceito político, insistindo que Munni não é afiliado à Liga Awami. Apesar disso, o grupo confirmou por escrito que ele seria afastado em 48 horas. Quando o gerente se recusou a assinar o documento, o conflito aumentou. O grupo alertou então veementemente que mesmo os principais meios de comunicação, como Prothom Alo e The Daily Star, não poderiam enfrentá-los, dizendo que a Global TV não se sairia melhor face a investigações semelhantes.
Esta série de vídeos destaca a tendência perturbadora de aumento da hostilidade para com os meios de comunicação social no Bangladesh, o que levanta sérias preocupações sobre o futuro da liberdade de imprensa face à tensão política e à violência.















