Uma longa tradição de férias no Kennedy Center chegou ao fim abruptamente com o cancelamento do concerto de jazz da véspera de Natal, um evento celebrado há mais de duas décadas. O show, apresentado pelo lendário músico Chuck Redd, estava programado para acontecer antes da recente polêmica nomeação do local icônico.
A decisão de cancelar ocorreu logo depois que a Casa Branca anunciou que o centro seria renomeado como “Centro Memorial Donald J. Trump e John F. Kennedy para Artes Cênicas”. Esta grande mudança, que muitos especialistas dizem ser contrária à lei estabelecida, é considerada o resultado de uma votação do gabinete eleito do Presidente Trump. Durante meses, Trump deu a entender que uma mudança de nome poderia estar iminente, mas a realização dessa mudança surpreendeu Redd.
Em comunicado à Associated Press, Redd explicou que depois de ver a mudança de nome no site do Kennedy Center, seguida de uma mudança na aparência do edifício, sentiu-se compelido a cancelar o show. Desde 2006, Redd é celebrado por liderar o feriado “Jazz Jams” no Kennedy Center, sucedendo ao lendário baixista William “Keter” Betts.
Até o momento, o Kennedy Center não respondeu às perguntas sobre o cancelamento, e seu site oficial lista o show como cancelado. O local tem uma rica história como memorial vivo ao presidente John F. Kennedy, que foi assassinado em 1963. Após sua morte, o Congresso aprovou uma lei designando o centro em sua própria homenagem, somando-se aos últimos desenvolvimentos.
Kerry Kennedy, sobrinha do falecido presidente, expressou o seu compromisso de remover o nome de Trump do edifício quando ele deixar o cargo. Além disso, o ex-historiador Ray Smock observa que as tentativas de alterar a designação do centro podem exigir a aprovação do Congresso. O conselho de administração está atualmente proibido por lei de marcar o centro ou anexar nomes de outras pessoas a ele.
A participação de Trump no Kennedy Center é incomum para um presidente, especialmente tendo em conta o legado que deixou na memória dos democratas. Fez grandes mudanças na sede, incluindo a demissão dos dirigentes anteriores e uma reorganização completa da burocracia. Este ano, ele ainda desempenhou um papel fundamental ao sediar a homenagem ao Kennedy Center, rompendo com a tradição presidencial onde os presidentes cessantes costumam assistir ao evento de longe.
As mudanças no Kennedy Center estão alinhadas com a agenda mais ampla de Trump para combater o que ele diz ser uma cultura “despertada” na instituição federal. A controvérsia em torno do local levou muitos artistas a cancelarem apresentações programadas desde que retornaram ao local, incluindo celebridades como Issa Rae, Peter Wolf e Lin-Manuel Miranda, que cancelaram a produção planejada de “Hamilton”. À medida que a situação evolui, muitos ficam a ponderar sobre as implicações destas decisões para o futuro do Kennedy Center e para a paisagem cultural em geral.















