Durante a retomada das ameaças e pressões pessoais que receberam desde que assumiu a Presidência, há apenas dois dias, Delcy Rodríguez enfatizou a posição de sua administração em relação ao impeachment do controle externo após a prisão de Nicolás Maduro em Caracas. Conforme noticiado pela Europa Press, nesta declaração feita perante empresários e celebridades do sector energético, Rodríguez sublinhou que a Venezuela “não aceita ordens” de actores fora da sua soberania e defendeu a independência política do seu governo e a legitimidade do novo Executivo após a saída forçada de Maduro.
Durante o evento em Caracas, Rodríguez respondeu diretamente à recente declaração do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que numa entrevista transmitida pelo canal YouTube Derecha Diario TV, sugeriu que Washington apoiava alguns membros do Governo venezuelano em exercício, com o objetivo de garantir o cumprimento das instruções do governo americano. Segundo reportagem da Europa Press, o presidente interino considerou as palavras de Bessent “insignificantes e chocantes”, e disse que a liderança da Venezuela vem apenas da vontade do povo: “O povo da Venezuela não aceita ordens de fora. O povo da Venezuela tem um governo e este governo obedece ao povo”, disse Rodríguez.
A posição assumida pelo presidente responsável surgiu após o ataque dos Estados Unidos em Caracas e arredores, em 3 de fevereiro, operação que resultou na prisão e transferência de Nicolás Maduro para Nova Iorque. Este acontecimento redefiniu a situação política interna e as relações bilaterais entre Caracas e Washington, afirmou a Europa Press. Rodríguez, que assumiu a liderança do Executivo dois dias após a detenção, insistiu que a resposta venezuelana rejeita qualquer possível intervenção e que as autoridades nacionais trabalhem com total independência em relação às potências estrangeiras.
Falando sobre o seu primeiro dia de mandato e em resposta às palavras de Bessent, Rodríguez declarou também que não tem medo da situação e sublinhou que o país está pronto para manter relações respeitosas com os Estados Unidos, sempre no respeito mútuo, respeito pela legitimidade internacional e respeito pela dignidade e história da Venezuela. “Também não temos medo de relações respeitosas com os Estados Unidos, mas devemos respeitar, respeitar a legitimidade internacional, respeitar o mínimo nas relações interpessoais e respeitar a honra e a história da Venezuela. Os venezuelanos estão prontos para fazer isso”, disse, segundo a Europa Press.
Ao mesmo tempo, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, explicou durante a entrevista que a decisão tomada pela Administração Trump visa conduzir a liderança venezuelana no cumprimento dos interesses dos Estados Unidos. Em suas palavras: “Todo mundo está dizendo: bem, e se os líderes venezuelanos voltarem aos velhos tempos? Acho que quando virem o vídeo da remoção do presidente de Caracas e da cela da prisão em Nova York, eles seguirão as ordens dos americanos”. Além disso, Bessent informou que os actuais dirigentes permanecerão temporariamente no cargo e deixarão aberta a possibilidade de colocar outros dirigentes “sob (sua) supervisão”, sem revelar a sua identidade, com o argumento de que a medida irá procurar os interesses do povo venezuelano, conforme detalhado pela Europa Press.
Na frente política, Washington anunciou a sua vontade de suspender gradualmente algumas das sanções contra a Venezuela, embora Bessent não tenha fornecido detalhes sobre o calendário ou o período exato para esse relaxamento. Neste contexto, o responsável sublinhou que o futuro da política venezuelana considera a realização de eleições consideradas livres e justas do ponto de vista americano, e apontou o apoio demonstrado pela figura da oposição María Corina Machado às medidas impostas por Donald Trump. “E quando acreditarmos que chegou a hora, haverá eleições livres e justas. Penso que (a líder da oposição) María Corina Machado tem sido muito clara no seu apoio ao que o Presidente Trump tem feito”, afirmou a secretária do Tesouro, segundo a Europa Press.
Bessent confirmou que o governo americano não gere diretamente o país, mas limita-se à implementação de determinadas políticas, delineando assim a posição oficial sobre a possível implementação de mudanças progressivas em termos de sanções. A Europa Press destacou que, durante a sua aparição, Delcy Rodríguez tentou separar a imagem da sua administração de todos os elos inferiores a Washington, e enfatizou a decisão dos cidadãos venezuelanos e o seu direito ao autogoverno sem pressões externas, especialmente a situação que surgiu após a queda de Maduro e o início da transição sob a sua liderança.















