A empresa Desarrollo Vial de los Andes (Deviandes) processou o Governo peruano perante o tribunal federal dos Estados Unidos exigindo o pagamento de 99,4 milhões de dólares (85,8 milhões de euros) que foi aceite através da mediação do Centro Internacional para Resolução de Disputas sobre Investimentos (ICSID).
Segundo o alerta das atuais autoridades da Rodovia Central, que liga Lima ao centro do Peru, a sentença da Corte Americana “pode permitir a implementação de medidas contra a propriedade do Estado peruano no exterior, incluindo ameaças” se o valor especificado não for pago.
De acordo com o acórdão do ICSID de Novembro de 2024, o Peru não cumpriu o reconhecimento formal do trabalho realizado e não tomou medidas suficientes para restaurar a ordem pública como resultado dos protestos que impediram a abertura da portagem de Ticlio, um ponto estratégico de entrada no centro do país.
A instalação da “boite de série” no Ticlio, que é o ponto mais alto da estrada e 4.800 metros acima do nível do mar, fez com que a infraestrutura fosse bloqueada pelos transportadores em 2018, que exigiram ao Governo o cancelamento do contrato.
Além disso, o ICSID destacou que o governo peruano impediu o Deviandes de operar legalmente a estação e de cobrar as receitas do contrato.
“Os processos nos Estados Unidos fazem parte do sistema internacional que existe para a execução de sentenças arbitrais contra países soberanos, especialmente quando a ordem de pagamento não foi feita voluntariamente”, explicou Deviandes.
ARBITRAGEM 2.329 MILHÕES
A subsidiária do Brookfield Asset Management Fund, Rutas de Lima, viu cancelada a arrecadação de fundos no capital, o que “prejudicou a sua viabilidade financeira”. Segundo a empresa, o Peru rejeitou diversas sentenças arbitrais num total de 700 milhões de soles (176,2 milhões de euros).
Nesse sentido, em outubro do ano passado, a empresa canadense iniciou o processo de litígio contra o Governo nos termos do acordo de livre comércio assinado entre Peru e Canadá. A Brookfield estima o valor do imóvel em 2,7 mil milhões de dólares (2,329 milhões de euros), o mesmo valor que irá reclamar como indemnização.















