Madrid, 16 de janeiro (EFE).- Duas meninas, de 5 e 10 anos, órfãs desde 2023 devido ao assassinato sexual da mãe, foram deportadas, juntamente com a avó, do bairro madrileno de Villaverde por ordem do Tribunal de Primeira Instância número 100 de Madrid.
O lançamento ocorreu no dia 14 de janeiro, apesar da situação muito frágil e dos relatórios dos serviços sociais.
“O que aconteceu é uma clara demonstração do fracasso do sistema de segurança social para as famílias em total vulnerabilidade”, disse à EFE o presidente da federação regional de associações de bairros de Madrid (FRAVM), Jorge Nacarino.
A família morava no município de Villaverde, onde a avó, de 65 anos, cuidava das duas filhas após o feminicídio.
Segundo a FRAVM, a avó sustentava o agregado familiar com 600 euros por mês, um valor que coloca a família abaixo do limiar necessário para ter acesso a habitação acessível no mercado atual.
“É uma falha brutal do sistema de justiça, é uma pena que o tribunal, que tem relatos de problemas sociais como antes, não tenha impedido as deportações”, disse Nacarino, que também condenou a falta de assistência jurídica no momento da sua deportação.
Segundo ele, o advogado nomeado pelo tribunal afecto à família não compareceu à execução do despejo mas enviou um advogado, “que não tem capacidade para negociar perante a comissão judiciária”, o que não impediu a mediação nem atrasou a investigação que poderia ter dado lugar à procura de uma solução para a casa.
A família tinha um relatório de vulnerabilidade publicado pelos serviços sociais, documento que, segundo a comunidade envolvente, deveria ter impedido a transferência ou, pelo menos, prorrogado.
De acordo com a ordem de despejo dada pela FRAVM, o mesmo foi realizado às 13h. com a participação da Polícia, serralheiros e advogados, entre outros, conforme despacho do Tribunal de Primeira Instância número 100 de Madrid.
Trata-se de uma execução hipotecária de empréstimo, o procedimento iniciou-se com uma dívida relativa ao proprietário da casa e o fundo imobiliário Circleville SL recebeu esta dívida do Caixabank e moveu o tribunal para tomar o imóvel, explicou a federação.
Uma fonte próxima da família disse à EFE que, nos meses anteriores ao início, apareceram na casa pessoas ligadas ao referido fundo para forçar e acelerar a saída da avó e dos filhos menores, que chegaram a oferecer dinheiro para salvar a casa.
A FRAVM afirmou que continuará a apoiar as famílias que foram realocadas para outras casas devido à rede de amigos, e reforçará a condenação pública ao sucedido.
Além disso, avançaram com os planos de solicitar uma reunião com o Ministério da Justiça para resolver o que consideram ser uma verdadeira falha do sistema. EFE















